Existiriam filhos, de pouca idade, capacitados e, ao mesmo tempo, com estofo suficiente para ensinar os pais como educá-los modernamente para a vida que tenham pela frente? Sim, existem! E não poucos, ainda que não sendo maioria. Conhecem-se muitos. Entendem que os genitores falham quanto às suas formas, travam conhecimento de outras, põem aquilo na consciência e, pronto, vão por cima dos maiores tentando fazê-los modificar, em uma ou outra alternativa, tudo quanto buscam conscientizar a garotada daquilo que consideram certo ou errado. “Menino, não proceda assim, pois, se continuar, vai dar cabeçadas mais cedo ou mais tarde†- advertem papai ou mamãe. Mas, nem sempre o jovem ou a jovem aceita a advertência, desconsiderando-a desinibidamente sem até dedicar-lhe alguns minutos de análise ou reflexão. E prosseguem agindo segundo seus próprios conceitos.
Comentando o assunto, revista que o jornalista tem em mãos visa atestar a veracidade do panorama, estampando bilhete que um menino escreveu e deixou na mesa dos pais, pedindo empenhadamente: “Não tenham medo de serem firmes comigo. Prefiro assim. Isto faz com que eu me sinta mais seguro. Sei que não devo ter tudo o que quero. Só estou experimentando vocês. Não deixem que eu adquira maus hábitos. Dependo de vocês para saber o que é certo ou errado. Não me corrijam com raiva e nem na presença de estranhos. Aprenderei muito se me falarem com calma e em particular. Não me protejam das conseqüências de meus erros. Às vezes, prefiro aprender pelos caminhos mais ásperos. Não sejam irritantes ao me corrigirem. Se assim o fizerem eu poderei fazer o contrário do que me pedem. Não me façam promessas que não possam cumprir depois. Lembrem-se de que isto me deixará profundamente desapontado. Não ponham à prova a minha honestidade. Sou tentado facilmente a dizer mentiras. Não desconversem quando faço perguntas, senão procurarei na rua as respostas que não tive em casa. Não se mostrem para mim como pessoas perfeitas. Ficarei extremamente chocado quando descobrir alguns erros de vocês. Não digam que meus temores são bobos, mas, sim, ajudem-me a compreendê-los. Não vivam me apontando os defeitos das pessoas que me cercam. Isto criará em mim um espírito intolerante. Não me mostrem um Deus carrancudo e vingativo. Isto me afastará dele. No futuro vocês verão em mim o fruto do que plantaramâ€.
Esse, o recado objetivo que o menino transmitiu aos pais. Dito e feito, frisa a linguagem jurídica, concluindo-se que não poucos genitores talvez precisem, como estes, de aprender em tempo hábil estilos eficientes de educação de filhos, nutrindo preocupações sérias quanto à problemática para que possam transmitir a eles conceitos alicerçados em uma escala de valores positivos, destituídos de conteúdos ultrapassados e preconceitos inconcebíveis, de prática muito danosa sem dúvida na idade adulta. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)