Indaga-se costumeiramente, em especial nos meios provectos, sobre a real contagem horária do tempo que vivemos. Quando teria ela se iniciado? O começo teria dado a sua distante largada quando do nascimento de Cristo? - inquirem os menos letrados, querendo, sem dúvida, arrancar a verdade dos que a saibam. Não, absolutamente, porquanto o mundo e, conseqüentemente o velho tempo, existiam bem antes. Muito antes! Mas, o certo é que a necessidade de acompanhar o seu curso procede desde os povos primitivos, os quais se orientavam pela exata projeção da sombra astral sobre o vultoso chão agreste. Era, então, “o relógio de sol, que, pela variação de uma haste projetada sobre um plano, indicava o transcurso das horasâ€, segundo apontam historiadores, os quais adiantam que, posteriormente, “surgiu o relógio de água, de invenção reconhecidamente egípcia, constituído por dois vasos superpostos e interligados por um orifício em seus decisivos vértices. O vaso superior gotejava a água para o inferior até escoá-la completamente dentro de um período de tempo previstoâ€. Contudo, cada cidade tinha sua própria hora, de acordo com os naturais critérios do tempo, mesmo porque até fins do milênio passado existiam 13 diferentes meridianos de origem, através dos quais se convencionava o início da “hora padrãoâ€. Mas, em 1884, representantes de 26 nações realizaram em Washington, EUA, a primeira Conferência Meridional Internacional visando definir onde se poderia localizar o “cronômetro do mundoâ€, e Greenvich, distrito urbano de Londres, foi escolhida para ditar a hora mundial, criando-se, assim, uma “hora internacional baseada no falado sistema de fusos horáriosâ€, conforme, também, relatos inegavelmente históricos, razão pela qual desde aquelas priscas eras a hora-padrão universal é emitida de Londres. E, conseqüentemente, aí estão os homens, até hoje, consultando relógios de pulso, bolso, mesa e parede, para contar a caminhada do tempo, que não pára, nem momentânea e nem definitivamente, a fim de que a terra, por seu turno, prossiga como morada eterna de uma humanidade que, igualmente, não tem problema de continuidade, ainda que obrigada a uma sucessão de seres, de ambos os sexos, os quais, por força de tal imposição, nem deveriam preocupar-se com os momentos em que o sol aparece e se vai, nem com os instantes em que a lua vem e desaparece, ambos a cada 24 horas, escondendo-se silenciosamente atrás das nuvens claras, cinzentas ou escuras, conforme seus desejos ou determinações da natureza, que a tudo rege com a sua própria energia. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)