08 de julho de 2026
Regional

Falta de galeria gera revolta em Piraju

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Pirajuí - Moradores do Jardim Rinaldi, em Pirajuí, estão preocupados com uma obra que, em tese, serviria para amenizar um problema do bairro, mas na prática pode criar uma dor de cabeça ainda maior. A prefeitura está pagando pela execução de obras de pavimentação sem antes construir galerias para captação de águas pluviais. Os serviços começaram há cerca de 20 dias.

Na opinião dos moradores, a obra irá resolver o problema da poeira, mas não vai impedir que eles continuem sofrendo com as enchentes em dias de chuvas fortes - um dos pesadelos de quem mora na parte baixa do bairro.

Sem galerias no meio do caminho, as águas vão descer tranqüilamente e com força até encontrar pela frente um paredão formado pelas casas da rua dos Alecrins.

Atualmente, metade das ruas do Jardim Rinaldi é de terra. Mesmo assim, o local sofre com as enchentes. Sem as galerias e com as ruas asfaltadas, o problema tende a se agravar.

Sem ter para onde correr, as águas, inevitavelmente, vão invadir as casas dos moradores da parte baixa do bairro - como acontece atualmente, quando chove muito.

Quando isso ocorre, dependendo do volume de água, algumas casas chegam a ser invadidas também pelo esgoto, para o desespero dos moradores. “Nossa situação é triste”, lamenta Milene Marini da Silva, 23 anos.

Apesar da retomada das obras, seis das sete ruas que ficam na parte baixa do Jardim Rinaldi continuarão sem asfalto. São elas: rua dos Cravos, rua das Hortências, rua das Orquídeas, rua dos Alecrins, rua dos Gerânios e avenida Vitória Régia. A única a ser asfaltada, de acordo com o projeto da prefeitura, será a rua das Primaveras.

Inaugurado em 1992, o Jardim Rinaldi tem 433 casas e desde 1996 não recebe um metro de asfalto. Coincidentemente, o último prefeito a investir na pavimentação parcial das ruas do bairro foi Luiz Carlos Serrato (PSD). De 1997 a 2001, nada foi feito. De volta ao cargo de chefe do Executivo, Serrato retomou as obras.

Ele teria garantido ao engenheiro civil Luiz Fernando Genovez da Rocha, responsável pela obra em andamento, que a pavimentação total do bairro, até 2004, seria “ponto de honra” para ele.

Essa promessa teria sido ouvida pelos moradores do Jardim Rinaldi na campanha eleitoral de 1996 e 2000. Segundo Iolando Ferreira Barbosa, 65 anos, durante a campanha municipal de 96, Serrato teria garantido que ganhando ou perdendo as eleições ele continuaria com o serviço de pavimentação, que estava sendo feito naquela época, até asfaltar todo o bairro.

Entretanto, de acordo com os moradores, assim que o resultado das urnas apontou para a derrota do candidato apoiado por Serrato, as máquinas teriam sido retiradas do bairro, sob alegação de falta de verba para terminar o serviço.

Desde então, os moradores da parte de baixo do Jardim Rinaldi passaram a ser chamados pejorativamente pelo apelido de “pé vermelho”, em referência à poeira levantada pelas ruas de terra.

Além da discriminação, os moradores reclamam também de uma suposta “injustiça” na cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

“Se todos aqui no bairro pagam impostos iguais, por que só uma parte conta com asfalto na frente de casa?”, questiona o morador José Rio, 62 anos. Segundo ele, o valor do IPTU é praticamente o mesmo para todas as casas, independente de contar com asfalto ou não. “Como pode isso?”, indaga ele, inconformado.

Pelas explicações fornecidas pelo responsável pelo setor de Tributos da prefeitura, Antônio Paulo Júnior, a semelhança entre os tributos realmente pode ocorrer. Isso, segundo ele, deve-se a uma lei municipal que autoriza a amortização da dívida para residências com muro e calçada.

Nesse caso, mesmo com asfalto, o valor pode ser semelhante a uma residência servida por rua de terra, desde que tenham a mesma área construída.

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Sessão agitada

Na última sessão da Câmara, dia 19 de agosto, um grupo de moradores foi buscar ajuda dos vereadores na tentativa de forçar o prefeito a construir galerias e estender a pavimentação para todo o bairro.

Eles pediram também que os vereadores agendassem uma visita do prefeito no bairro, para que ele ouvisse dos próprios moradores as reivindicações. Segundo eles, até o momento nada foi feito.

Na sessão de amanhã, o grupo promete voltar a ocupar o salão da Câmara. Se o cronograma das obras for mantido, a previsão é de elas terminem na metade desse mês. Antes disso, os moradores querem convencer o prefeito a aproveitar a presença das máquinas para pavimentar todo o bairro. Mas antes eles querem as galerias.