A presença de sangue nas fezes, no vaso ou no papel higiênico é um indício claro de que algo não vai bem no trato intestinal. Como em qualquer outra parte do corpo, todo sangramento deve ser investigado por um médico.
Numa pesquisa realizada na Inglaterra, cerca de 10% dos 1,6 mil entrevistados responderam ter apresentado sangramento pelo ânus nos últimos meses após uma evacuação. Dentre as pessoas que observam melhor suas fezes, 35% disseram ter detectado sangue.
De acordo com o médico Ken Heaton (Guia da Saúde Familiar, 2001), as causas mais comuns deste sintoma são as fissuras anais e as hemorróidas.
As fissuras ocorrem em pessoas que têm fezes muito duras e ressecadas. Ao passar pelo tubo intestinal, o bolo fecal finca nas paredes do intestino, causando ferimentos e rachaduras. Neste caso, a pessoa sente muita dor durante a evacuação (como se estivesse sendo rasgada) e percebe que foi ferida.
As hemorróidas surgem quando o esforço para eliminar as fezes é muito grande e sistemático. É mais comum naquelas pessoas que terminam a evacuação e continuam com a sensação de que não acabou. Elas continuam fazendo força e mais força, sem que nada saia do tubo intestinal.
Acontece que, na porção final do intestino, entre a musculatura e o interior do tubo existe uma camada chamada colchão anal. É um tecido igual ao da pele, porém coberto de “novelos†macios e esponjosos. No resto do intestino, ela é uma membrana delicada e recoberta de muco (mucosa).
Esta camada funciona como uma barreira contra agentes perigosos, como bactérias e vírus, ao mesmo tempo em que retém as coisas boas, como água e sais minerais.
Quando a pessoa faz muita força para eliminar as fezes, em vão, esse colchão anal é empurrado para baixo e forma dobras - as hemorróidas. Elas podem ter tamanhos variados e localizar-se dentro ou fora do ânus.
Essas protuberâncias são macias e frágeis. Elas podem ser facilmente lesadas durante a passagem das fezes, resultando em sangramentos. Embora seja desconfortável, as hemorróidas não são necessariamente dolorosas, segundo os médicos.
De acordo com Heaton, as hemorróidas pequenas tendem a desaparecer espontaneamente quando a constipação é resolvida ou quando a pessoa pára de fazer esforços desnecessários. As maiores, porém, requerem tratamento cirúrgico.
Câncer
Entre as piores conseqüências da constipação intestinal persistente está o câncer. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cancerologia, a doença mata cerca de 5,5 mil pessoas no Brasil anualmente.
De acordo com o pediatra Hilton Coimbra Borgo, existem substâncias no meio ambiente que são tóxicas ao organismo. “São os chamados xenobióticos, que têm ação potencialmente cancerígenaâ€, afirma.
Segundo ele, as pessoas que sofrem de prisão de ventre têm o trânsito intestinal muito lento. Isso quer dizer que a comida passa muito tempo em contato com o organismo antes de ter seus resíduos eliminados pelas fezes. Enquanto isso, todos os xenobióticos e substâncias tóxicas produzidas pelo próprio organismo ficam em contato com órgãos e tecidos do corpo.
Eles são agressivos ao organismo e podem desencadear desde infecções localizadas até o câncer propriamente dito. Essas substâncias só serão eliminadas com a passagem do bolo fecal.
Por isso, Heaton alerta que, se o sangramento é um evento raro, que acontece apenas quando a pessoa tem uma evacuação particularmente dolorosa, com fezes grandes e duras, não é necessário temer, pois os indícios são de ferimentos do tubo intestinal. Porém, sangramentos repetitivos devem ser informados ao médico.
Os especilistas lembram que todas as alterações causadas pela constipação intestinal, inclusive a própria prisão de ventre, têm tratamento. E quanto mais cedo é iniciado esse tratamento, mais provável é a cura.
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Constipação em bebês
De acordo com o pediatra Hilton Coimbra Borgo, o leite materno é o alimento que mais causa variação no hábito intestinal do ser humano. No entanto, casos de constipação em recém-nascidos que mamam no peito são extremamente raros, segundo ele. A prisão de ventre em bebês costuma estar associada ao leite artificial.
“Tem bebês que mamam no peito e evacuam sete ou oito vezes por dia. E tem bebês que também estão com o leite materno, na mesma faixa etária, só evacuam a cada dez ou 12 dias e também têm intestino normalâ€, informa.
Ele afirma que estas diferenças parecem estar relacionadas à composição do leite materno, que varia de uma mãe para outra. Segundo ele, o recém-nascido que mama no peito e apresenta prisão de ventre, geralmente tem alguma alteração orgânica - um defeito ou doença no aparelho digestivo.
“O que os pais devem observar no recém-nascido é se ele faz cocô com tranqüilidade, independentemente da freqüência. Só consideramos constipados os bebês que sofrem para evacuar e têm fezes empelotadas e duras. E isso não tem nada a ver com a cólica, que ocorre por outros motivosâ€, reitera.
O pediatra observa que esta regra é diferente para bebês alimentados com leite artificial. Neste caso, a criança deve evacuar mais de três vezes por semana.