Assunto polêmico que gera controvérsias, o destino, muitas vezes, é nomeado como acaso, determinismo, liberdade, questão de escolha, entre outros. Para o poeta modernista Mário Quintana, que morreu em 1999, “o destino é o acaso atacado de mania de grandeza.â€
Para uns coincidência, para outros fatalidade. Há diversas definições para a palavra destino. No dicionário, ele é sinônimo de “execução da vontade irrevogável dos deuses ou da Providênciaâ€, mas há outras definições, de acordo com a religião, a crença. Sobre o destino, há uma afirmação que a maioria das pessoas concorda: “O que se planta hoje, se colhe amanhã.â€
Através dessa afirmação, explica-se que as pessoas têm o “poder†de decidir qual será seu futuro. Mas, apesar disso, há muitas pessoas que acreditam que o seu destino já está traçado a partir do momento em que elas nascem. Essa diferença de crença é muito pessoal e particular de cada ser humano.
O filósofo Mario Sergio Cortella, num artigo escrito para um jornal de São Paulo, afirma que, quando as pessoas crêem que os dias seguintes são questão de escolha, detecta-se uma angústia presente nessa necessidade de optar e, mais ainda, na de ter de aceitar o resultado daquilo que se escolheu. “Às vezes, essa angústia se transforma em desgosto, sofreguidão, atribulação, sufoco, avidez, desassossego, inquietaçãoâ€, diz.
De acordo com a psicóloga Luciana Maria Biem Neuber, todo ser humano possui o livre arbítrio para realizar escolhas durante sua vida e cada indivíduo é responsável pelas conseqüências, boas ou não, dos atos que pratica. “No decorrer da vida, as pessoas têm escolhas que diferem diante dos objetivos de vida daquele momento, da faixa etária, mudando de valores de acordo com a vivência particular e social de cada umâ€, explica.
Perpetua-se que as pessoas têm várias maneiras para seguir um mesmo caminho e isso é uma opção, uma escolha de cada um. Mas vale lembrar que nem sempre a escolha é única e exclusivamente de uma pessoa. Isso porque ela vive em sociedade, família e, portanto, é influenciável e influencia o tempo todo as relações pessoais.
Luciana explica que é comum observar numa família, fatos que se repetem em diferentes gerações. Isso, de acordo com ela, não é o destino daquelas pessoas que estava traçado para que elas passassem por tal fato, mas sim as influências que um gera sob o outro, a educação familiar.
“Dentro da abordagem sistêmica e da terapia familiar, nós estudamos essas gerações e buscamos esses fatos que se repetem como professias que se auto-realizam, ou seja, a maneira como a família lida, verbaliza, direta ou indiretamente os acontecimentos, que podem se repetir, mas não porque era destino ou porque deveria acontecer independente de qualquer coisa, mas sim porque a pessoa buscou aquela determinada situação, sob a influência de sua famíliaâ€, detalha.
A psicóloga vai além, e diz que, muitas pessoas, se escondem atrás desse subterfúgio de que tudo está escrito e vai acontecer porque Deus quer ou porque é destino. Dessa forma, de acordo com ela, as pessoas se eximem da culpa, da responsabilidade. “Essas pessoas ficam paradas e ao invés de passarem pela vida, elas deixam com que a vida passe por elas e se escondem, não escolhem, deixam que os acontecimentos ocorramâ€, afirma.
Essas pessoas não agem como deveriam, de acordo com Luciana. Isso porque elas não fazem nada, ficam paradas, esperando que algo aconteça, caia do céu, que o destino venha e faça por elas. “Na realidade, de acordo com os estudos, analisamos que a vida de uma pessoa é escrita sim, mas até uma certa idade e pelos familiares, através dos acontecimentos históricos e sociais que envolvem o ser humanoâ€, diz.
O que a psicóloga faz questão de deixar claro é que, muitas pessoas, às vezes, entram no fanatismo de dizerem que o destino toma conta da vida delas, mas são elas que estão permitindo que os fatores externos façam esse papel. “Ainda não podemos chegar a conclusões, porque existem mistérios dentro de uma questão espiritual de fé e de crenças que vão além da nossa capacidade como ser humano, como os mistérios da vida e da morteâ€, diz.