A disseminação de propaganda eleitoral pelas ruas da cidade incomoda muita gente. Grande parte das pessoas não gosta de ver cartazes e faixas espalhadas pelas vias, mudando a paisagem e poluindo ainda mais o visual da cidade. Sem contar os folhetos e “santinhos†que são jogados nas vias públicas e nos quintais das casas, deixando um rastro de sujeira. “Eu acho horrível essa bagunça toda e não permito propaganda política na minha casaâ€, diz a comerciante Lyrcéia Terezinha Tiba.
Ela ressalta que todos os dias encontra a caixa do correio repleta de folhetos com propagandas de candidatos a deputado, governador, senador e presidente da República. “Eu não voto em nenhum desses candidatosâ€, destaca.
Para a eleitora, o fato de poluir a cidade com propaganda denigre a imagem do político. “Como é que você vai votar numa pessoa que suja a cidade antes mesmo de ganhar as eleições?â€, questiona.
Ela diz que não cede e nem “aluga†o muro de sua casa para que seja pintada propaganda de nenhum candidato, pois considera essa atitude de muito mal gosto. “Acho que deveria ter uma lei proibindo esse tipo de campanha. A cidade fica muito feia em época de eleiçãoâ€, frisa.
A funcionária pública aposentada Amélia de Assis não gostou quando viu pendurado no poste que fica em frente à sua residência uma tabuleta com propaganda política. “Colocaram essa propaganda bem em frente à minha casa e nem perguntaram se eu apóio ou não o candidatoâ€, ressalta.
Por outro lado, há quem não ligue para esse tipo de propaganda. É o caso da dona de casa Sebastiana Ribeiro dos Santos. Ela permitiu que o muro da sua casa fosse pintado com propaganda política mediante o pagamento de R$ 100,00. “Pelo menos com o muro pintado desse jeito, ninguém pichaâ€, salienta.
O filho dela, o frentista Silvio de Jesus dos Santos, acredita que a cidade fica mais poluída no período de campanha eleitoral, mas não atribui isso às inscrições feitas pelos candidatos nos muros. “Acho feio quando espalham cartazes pelos postes e jogam papel no chão. Mas, propaganda no muro é normal, fica bem pintado e não poluiâ€, considera.
O que revoltou o frentista foi o fato de não receber pelo “empréstimo†de sua parede. Ele conta que combinou com o candidato o pagamento de R$ 100,00 para ceder o muro para propaganda, mas até a semana passada, não havia recebido a quantia. “Já fui atrás do candidato várias vezes para receber, mas não consigo. Vou mandar pintar tudo de branco por cimaâ€, afirma.
Letristas
Enquanto uns reclamam da poluição visual deixada pelos candidatos a um cargo político, outros comemoram o retorno financeiro da campanha eleitoral. É o caso dos pintores letristas, profissionais que costumam desenvolver uma intensa atividade nesses período de eleição.
Esse ano, no entanto, o movimento não anda dentro do esperado. O letrista Roberto Luiz dos Santos, por exemplo, diz que houve uma queda de 40% na procura pelo seu trabalho em comparação com as eleições passadas. “Os políticos estão reclamando que estão sem dinheiroâ€, destaca.
De julho para cá, Santos diz que já pintou uma média de 80 muros para vários candidatos da cidade. “Mas tem alguns que ainda não pediram para pintar nenhum espaço na cidadeâ€, reclama.
Ele acredita que os candidatos estejam com dificuldades financeiras nesta campanha. Mesmo assim, espera que o movimento melhore neste mês e que apareçam muitos espaços em branco para ele preencher com propaganda política. “Tomara que os candidatos voltem a me procurar.â€