09 de julho de 2026
Política

Xaides visualiza Bauru sem "apartheid social"

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Uma cidade que tenha pólos de desenvolvimento descentralizados, sem privilegiar classes sociais e zonas residenciais. É assim que o professor universitário e arquiteto José Xaides, candidato à Assembléia Legislativa pelo PT, pensa Bauru. “Defendo uma Bauru sem apartheid social”, prega.

Recentemente, ele gerou polêmica ao defender a tese de que pobre também tem o direito de morar na zona sul da cidade. “Nós debatemos com a comunidade um plano estratégico para o desenvolvimento de Bauru”, explica.

O arquiteto defende que as periferias também sejam premiadas com condomínios de melhor qualidade, programas de geração de emprego e renda, desenvolvimento comercial e industrial.

“Não se pode só privilegiar a zona sul. É preciso descentralizar o progresso para as zonas norte, leste e oeste”, sugere.

O petista entende que essa decisão política já deveria ter sido colocada em prática no novo megaempreendimento que envolve o Grupo Savoy.

Os empreendedores, com o aval do Poder Público, decidiram instalar o centro comercial ao lado do Bauru Shopping Center e do Wal-Mart, em terras da zona sul da cidade.

“Discordo da forma como esse assunto está sendo tratado. Talvez, se esse empreendimento fosse instalado na zona norte, geraria mais benefícios para o público da classe média”, acredita.

Para o professor, essa decisão estabeleceria um princípio de competição que favoreceria a população mais humilde. “Concentrado no mesmo local de outros negócios, ele vai gerar um pool, favorecendo a lucratividade e não as pessoas da periferia.”

Coesão social

Xaides diz que busca, com esse projeto, mais coesão social. â€œÉ preciso integrar as classes sociais, aproximar o pobre do rico. Temos que pôr fim ao apartheid social”, insiste.

Na concepção dele, é humilhante que a cidade separe áreas para ricos, para a classe média e para os pobres. “Isso vai na contramão de um aspecto filosófico, ideológico, de que a gente tem que distribuir benefícios e não concentrá-los para um determinado grupo”, analisa.

Como deputado estadual, o professor acha que poderá fomentar ações em todo o estado para exigir a implementação do Estatuto da Cidade.

“Embora o estatuto seja uma lei federal, se as cidades não tiverem forças políticas capazes de implementá-lo, com certeza vai virar uma letra morta.”

Imagem do PT

A história contemporânea do PT de Bauru mostra um partido dividido em facções que não conseguem se aglutinar nem mesmo em períodos eleitorais.

O petista defende que o partido necessita da discussão de idéias, do fomento de programas e cursos de formação política. â€œÉ preciso abrir espaço para as tendências da própria cidade e da região”, opina.

Ele avalia que chegou o momento do PT de Bauru discutir política em alto nível e com ética. “Mas o partido está, na verdade, em construção. Acho que nessa campanha os companheiros da cidade estão mostrando a cara.”

O arquiteto defende que o partido, junto com outras forças políticas progressistas, dê mais atenção aos 85% da população que vive na periferia do município e na exclusão.

“O processo é dinâmico. A luta é a ação concreta a cada dia. A nossa campanha está polarizada no sonho lá do início do PT, que é a discussão das idéias, trabalhar o conhecimento das pessoas”, discursa.

Sem revolução

A aliança que o PT firmou com o PL em nível nacional, gerando a indicação do senador José Alencar (PL-MG) para vice do candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provocou em Xaides “uma estranheza” num primeiro momento. Mas o que se pode chamar de constrangimento político foi desfeito.

“Essa aliança mostra, hoje, que foi uma decisão acertada. É preciso lembrar que houve, de uma certa forma, uma destruição dos partidos de esquerda no Brasil durante a década de 90”, diz.

O candidato afirma que as forças progressistas do País precisam acumular força novamente. “Não é hora de fazer revolução, não é hora de rompimento. A hora é de se buscar um pacto social capaz de colocar no mesmo lado aqueles que ficaram excluídos desse sistema econômico”, defende.

O petista avalia que a classe trabalhadora e o empresariado nacional estão no mesmo “paredão”. “Hoje, somente o sistema financeiro e as multinacionais é que estão tendo privilégios desse governo que se instalou há oito anos.”

Xaides acha que os trabalhadores e empresários devem lutar pelas mesmas condições. “A condição de uma negociação em eqüidade nessa balança financeira entre importação e exportação.”