09 de julho de 2026
Cultura

Biblioteca terá mais investimento

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de organizada e informatizada, a expectativa é de que agora cheguem investimentos em livros e materiais para a Biblioteca Municipal Rodrigues de Abreu, localizada no Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva.

Durante a entrega das obras de informatização da biblioteca, na manhã de anteontem, o secretário municipal de Cultura, Sérgio Losnak, revelou que o próximo passo - no ano que vem - é informatizar também as sete bibliotecas ramais da cidade, que passariam a ser ligadas em rede entre si e com a central.

“Um livro que uma pessoa na Vila Tecnológica não encontra no acervo da biblioteca de lá, vai poder ser localizado onde está, seja no Mary Dota, em Tibiriçá ou mesmo na central”, explica Losnak. Segundo ele, o próprio processo de informatização revelou títulos que estavam “perdidos” no desorganizado acervo. Foram 4,7 mil livros a mais, um acréscimo de cerca de 25% no total.

“Houve uma revisão total. Todos os livros cadastrados, tombados, de acordo com uma técnica única”, diz Losnak. Com isso, o usuário poderá encontrar com rapidez obras a partir do nome do autor, da editora ou mesmo pelo assunto. “Foram vários períodos, diferentes critérios de catalogação. Hoje, nós temos uma catalogação uniforme, uma identidade em todos os livros. Isso facilita ao usuário encontrar o livro que está procurando”, observa o secretário.

Baseado na busca pela acessibilidade que guiou o processo de informatização, durante a inauguração da biblioteca o escritor Luís Vitor Martinello interpretou poemas de sua série “Lixeratura”. Após a leitura, o autor e os presentes jogavam no lixo os pedaços de papel com o poema recitado. Para o escritor, essa atitude representa que a literatura é corrente, consumível, e não apenas uma peça morta na estante.

Na opinião do secretário de Cultura, a informatização, a organização e mesmo investimentos em iluminação, mesas e cadeiras na biblioteca permitirão contato direto entre a população e a literatura, como queria demonstrar Martinello. “As bibliotecas não são somente espaços de leitura. São espaços de arte, de convivência”, diz Losnak.

E completa: “Mesmo quem vai brincar na brinquedoteca, por exemplo, estará em um meio no qual poderá um dia pegar um gibi, um livro. A convivência dentro do espaço vai incentivar a leitura.”

De acordo com o secretário, agora também será possível conhecer melhor o público da biblioteca, o que possibilitará investimentos dirigidos. “Esse software que nós adquirimos vai possibilitar um acompanhamento mais de perto em relação ao perfil do usuário”, revela.

Losnak conta que a maior parte do público é formado por estudantes do ensino médio e universitários, que utilizam o acervo para pesquisas escolares. Mas há também os mais idosos, que entram no local apenas para ler o jornal do dia ou, até mesmo, passam o dia ali dentro.

Para o prefeito Nilson Costa (PPS), a informatização da biblioteca central - assim como a das sete ramais prometida para o ano que vem - deve começar a consolidar um perfil cultural na cidade. “Estamos criando toda a instrumentação, toda a possibilidade para que as pessoas venham e se envolvam na leitura”, diz.

De acordo com o prefeito, o retorno da maria-fumaça, que deverá voltar a circular por alguns trechos de Bauru, também contribuirá para o “ambiente cultural” da cidade. A previsão para a entrega é em 8 de setembro.

“Ainda ontem (sexta-feira), nós estivemos no Rio de Janeiro, pleiteando e obtendo da rede ferroviária a autorização para usar a gare da velha estação para a apresentação da maria-fumaça, a locomotiva que nós estamos recuperando”, conta Nilson, referindo-se à comitiva formada também por representantes do Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho, do Grupo Marca e sindicalistas.

Internet

Além da organização e informatização do acervo, a biblioteca Rodrigues de Abreu também passa a oferecer aos usuários dois pontos para acesso gratuito à Internet.

A intenção é proporcionar ao estudante a possibilidade de complementar suas pesquisas, acessar acervos de outras bibliotecas ou encontrar informações sobre assuntos que ainda não estão disponíveis em livros. “A pessoa pode pesquisar sobre temas recentes, que ainda não foram publicados”, diz o secretário Losnak.

Para ele, o acesso à Internet a partir de uma biblioteca pública cumpre também uma espécie de papel social da secretaria de Cultura. â€œÉ uma diminuição pequena, mas necessária, do abismo que distancia a sociedade que tem a informação da que não tem.”

O horário de atendimento da biblioteca também volta ao normal a partir de hoje: das 8h às 19h, de segunda à sexta-feira, e das 9h às 13h, aos sábados.