08 de julho de 2026
Cultura

Notas de despedida


| Tempo de leitura: 3 min

“Sou amiga do Hélcio há 12 anos e participava das audições do Clube todas as segundas-feiras. Desde que ele ficou muito doente, já não tínhamos mais as reuniões. Mesmo que outro fizesse não era a mesma coisa. Ele sabia tudo sobre música, até o que o compositor pensava para escrever determinado tipo de música. Mesmo debilitado, no ano passado, ele deu uma semana inteira de programas no Teatro Municipal para festejar a 1.900ª audição, teve apresentação de músicas tocadas pela Banda do Liceu, exposição do Walter Mortari, que é pioneiro como ele e uma série de outras atividades. Mas o professor participou só dos dois primeiros dias e depois foi internado. Foi muito difícil... Um grande amigo se foi. Há um mês mais ou menos, ele sempre me dizia toda vez que o visitava. “Agora quero morrer. Não quero mais viver, pois não sirvo para nada, nem para ouvir música.” A música era tudo na vida dele e ele fez da sala de sua casa um templo da cultura em Bauru, sem nunca pedir contrapartida. Era uma pessoa única.” (Denise Stump, amiga e Amiga da Boa Música)

“A vida toda ele teve paixão por música e nem precisava fazer muito para contagiar a família inteira. Ele era uma pessoa especial, maravilhosa. Sempre falo que as pessoas que têm uma passagem por aqui precisam deixar algum sentido na vida. O tio Hélcio sempre passou essa coisa positiva para todo mundo, sejam seus alunos, amigos ou parentes. Era um apaixonado por tudo o que fazia. A vida inteira ganhei muitos discos e livros de presente, todos relacionados há música. Eu era o médico dele, e se a gente pudesse escolher uma maneira de ir embora, seria como ele foi: sereno e tranqüilo. Apesar de todos os problemas de saúde que ele enfrentou, a sua passagem dele foi muito bonita.” (Guilherme Pupo Alves, sobrinho e médico do professor)

“Foi uma grande perda para Bauru. O professor Hélcio foi uma pessoa que sempre se dedicou à arte e tinha paixão pelas coisas que fazia. Essa paixão, ele conseguiu passar para muitas pessoas. Foi um autodidata que conseguiu lecionar na universidade. Isso foi fruto da paixão. Ele começou a gostar de música por causa do pai e desenvolveu uma carreira e um acervo pessoal único. A expressão que o definia era amor à arte. Foi ele quem me fez gostar de arte moderna, pois sempre fui muito tradicional para as artes visuais. Devo muito o que conheço de música a ele. Quando montávamos um espetáculo, ele descia a prateleira para orientar e dava uma verdadeira aula, comentava, estudava, tudo o que ele falava era devidamente embasado.” (Dalva Côrrea, bailarina e diretora do Ballet Vitória Régia, para quem o professor prestava consultoria musical)

“Eu acompanhava o trabalho do professor pelas críticas publicadas no Jornal da Cidade. Era fã dele e de seu trabalho. Conversei muito pouco com ele, mas aprendi a admirá-lo. Fiquei muito triste com a sua morte. Quando perdemos a dona Celina (Lourdes Neves) ficamos órfãos de mãe. Agora ficamos órfãos de pai. Eram eles quem agitavam a cultura. Essa molecada de hoje não quer saber de nada muito sério não.” (Adilson Jorge, cenógrafo e fã)

“O Hélcio foi o grande benemérito da cultura de Bauru. Nunca teve interesse político, nem monetário. Sua única missão era divulgar a cultura e instruir. Ele merece a gratidão da cidade inteira.” (Isolina Bresolin Vianna, escritora e amiga)

“Ele não tinha formação acadêmica em artes, mas sabia muito mais que muito professor. E tinha uma didática inacreditável.” (Sueli Dabus, artista plástica e ex-aluna)

“Eu convivi 50 anos com ele. Não perdia uma segunda-feira no Amigos da Boa Música. Ele fez uma crítica sobre o meu trabalho e nós fizemos um trabalho juntos no ano passado. O Hélcio gostava muito de arte. Ele era um verdadeiro artista, mas a arte dele não se expressava pictoricamente. Mas muita gente se inspirava nas suas audições. A dona Angelina (Messenberg) fez a sua obra tendo a música do Clube como inspiração. Para nós, a música é uma coisa etérea. Mas para o Hélcio, a música era concreta, tinha corpo e ele cuidava como se fosse um filho.” (Walter Mortari, artista plástico e amigo)