O capitalismo está com os dias contados e o socialismo é inevitável. A previsão é do sindicalista Roque Ferreira, candidato à Câmara dos Deputados pelo PT. Conhecido por suas posições claras e discurso direto, sem rodeios, o petista avalia que o capitalismo não tem mais nada a oferecer à humanidade.
Ele vai mais longe: espera-se uma revolução globalizada da classe trabalhadora. “Esse é um conceito clássico. Todas as experiências de revolução num só país que foram hegemonizadas pelo que se convencionou de estalinismo foram derrotadas pela históriaâ€, explica.
O candidato visualiza que o mundo passa por mudanças. Na opinião dele, o capitalismo se desenvolveu muito. “Em vários países do mundo os ataques à classe trabalhadora são os mesmos, mas com impactos diferentes.â€
O petista denuncia a destruição das nações pelo sistema. “Hoje nós temos os países lentos, estagnadosâ€, diz. Ferreira analisa que sob o ponto de vista dos “interesses do imperialismoâ€, a instituição de áreas de livre comércio são idealizadas para criar nichos comerciais.
“Com isso, as grandes nações são sustentadas.†O candidato, porém, acredita que os trabalhadores estão se organizando para enfrentar “os ataques do capitalâ€.
Recentemente, ele participou da Conferência de Berlim, realizada com o interesse de se posicionar contra a desregulamentação das leis do trabalho. “O evento reuniu centenas de trabalhadores de todo o mundo, que neste momento estão desenvolvendo iniciativas comunsâ€, explica.
Posição política
O petista diz que sua candidatura à Câmara dos Deputados se baseia na discussão dos princípios originais do PT. “Ela tem como ponto de apoio a luta pelas reivindicações dos direitos dos trabalhadores.â€
Essa linha de atuação que o sindicalista pretender ter no Congresso Nacional reflete, de acordo com ele, a sua trajetória de vida.
“Quero defender a soberania da Nação, que passa necessariamente pelo combate aos tratados de livre comércio, dentre os quais o da Área de Livre Comércio das Américas, a Alcaâ€, expõe. Ele também critica a decisão do governo brasileiro de ceder a Base de Alcântara, localizada no Estado do Maranhão, para os Estados Unidos.
Ferreira afirma que outro ponto fundamental de sua proposta é o combate à flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
O petista enumera, também, a defesa pela manutenção da convenção 103 e os direitos da maternidade. “Temos que defender a estabilidade no emprego, a recuperação dos salários, que pode vir a gerar mais empregos.â€
Coordenador-geral licenciado do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, o candidato a Câmara dos Deputados articula a quebra do contrato assinado entre a União e as operadoras ferroviárias.
Na opinião dele, as privatizaçõe do setor ferroviário foram um fracasso. “Covas, Alckmin e FHC destruíram o setor de transporte, principalmente as ferrovias.â€
Ferreira acha que chegou a hora de o governo decretar a caducidade dos contratos assinados com as concessionárias Ferrovia Novoeste (Bauru-Corumbá) e da Ferrovia Bandeirantes (Ferroban).
PT de Bauru
O sindicalista é um dos fundadores do PT de Bauru, que nos últimos anos enfrenta rachas e crises institucionais. “O PT não é um partido de anjos. Ele é um partido de pessoas. É saudável que exista dentro de um partido político diferenças de apreciaçãoâ€, analisa.
Para ele, essa situação não é ruim, desde que se tenha o mesmo objetivo. “Você discute, debate e se caminha.†O petista reconhece, no entanto, as dificuldades internas da legenda no âmbito municipal.
“Isso é conseqüência de uma intervenção que o PT sofreu em 1992 para se impor uma aliança com o PSDB para a disputa da eleição municipalâ€, lembra.
Ele diz que após esse período, o partido adotou práticas condenáveis. “Nós tivemos a prática do eleitoralismo, do carreirismo político. E quando se coloca como prática viver da política, tirar o sustento da política, passa-se a fazer qualquer coisa e adotar qualquer posturaâ€, critica.
Ferreira condena esse tipo de comportamento. Ele defende a abertura do partido aos trabalhadores e a juventude. “E para fazer isso, o PT precisa ter suas instâncias orgânicas funcionando.â€