10 de julho de 2026
Política

Duarte conhece 'caminhos' para chegar ao orçamento

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

A experiência acumulada do economista Raul Duarte no comando das finanças da Prefeitura de Bauru há oito anos é o que o levou a se candidatar à Assembléia Legislativa pelo PPS. Licenciado do cargo de secretário desde abril passado, ele garante que conhece “os caminhos” para viabilizar as verbas de que Bauru necessita para resolver seus problemas.

“Para conseguir recursos é preciso seguir todo um processo burocrático. Acho que esse é o diferencial. Conheço muito bem como funciona um orçamento”, destaca.

O economista acredita que cumprida essa etapa, o resto é articulação política para viabilizar a inclusão do pedido na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que regulamenta a distribuição anual da arrecadação do Estado.

O ex-secretário de Finanças afirma que o governo tem condições de colaborar com verbas para obras de infra-estrutura necessárias no município, principalmente na periferia.

“São galerias para a captação de águas pluvias, guias, sarjetas, asfalto. Bauru é uma cidade que cresceu muito nos últimos anos e de forma desordenada. Muitos bairros não têm escolas, creches, asfalto”, aponta.

Duarte garante que está preparado para enfrentar o “outro lado” do mundo político, já que durante oito anos atuou apenas como técnico do Poder Público.

“Eu já enfrentei situações muito difíceis em Bauru. Tive a difícil tarefa de colocar a cidade em ordem na parte econômica. Restabelecemos o crédito da prefeitura na praça”, relata.

Órfão

Ele conta que na época da crise financeira do município - logo após a cassação do ex-prefeito Izzo Filho - não recebeu nenhum telefonema dos deputados estaduais.

“Era uma época em que estávamos com o dinheiro para ser confiscado, com os fornecedores ameaçando cortar medicamentos e a merenda escolar. Em nenhum momento recebi ligação dos deputados de Bauru para dizer: Secretário, posso fazer alguma coisa para ajudar o município?”, reclama.

O economista explica que foi essa dificuldade de administrar a cidade sem apoio político que o fez colocar seu nome como candidato a deputado estadual.

“Acho que temos nossos compromissos com a sociedade. E em nenhum momento eles podem ser prejudicados. Nossos compromissos pessoais nunca podem ser colocados acima dos compromissos da sociedade.”

Duarte garante que se não houver uma ação séria junto ao governo do Estado para a conquista de verbas, Bauru vai perder muito nos próximos anos.

“A capacidade de investimento do nosso município é muito pequena. Não podemos afirmar que vamos fazer isso ou aquilo se não houver a participação do Estado”, observa.

O candidato lembra que o município foi durante muito tempo sede regional de empresas estatais.

“As estatais privatizadas, como a Companhia Energética de São Paulo, a Companhia Paulista de Força e Luz, o Banespa, a Telesp, a NOB, faturavam por Bauru. Isso representava um bom percentual na cota-parte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS”, explica.

Segundo ele, depois de privatizadas essas empresas passaram a faturar em outros municípios, para onde suas sedes foram transferidas.

Cautela

Com a campanha nas ruas para deputado estadual, o ex-secretário afirma que não se sente constrangido de ter sido integrante da equipe do prefeito Nilson Costa (PPS), bastante criticado pela morosidade nas suas decisões.

O candidato também diz que a vinculação de seu nome à imagem de Nilson não é negativa para a sua campanha.

“Eu tenho uma outra visão do prefeito. O Nilson é um homem cauteloso, que antes de tomar uma atitude pensa muito. A decisão pública é uma decisão complicada”, argumenta.

Para Duarte, não procede a fama do prefeito de atuar como uma “tartaruga”. “Eu, em nenhum momento, vi o prefeito como tartaruga. O Nilson não tinha recursos para fazer investimentos. Quando se tem dinheiro na mão, qualquer um vira lebre”, defende

O economista lembra que no período em que o município foi atingido por uma tromba d’água, os recursos destinados pelo governo do Estado demoraram um ano para chegar.

“E as obras não puderam ficar paradas por um ano. E não se podia atacar só as obras da calamidade pública e deixar a cidade abandonada”, explica.

Na avaliação dele, o prefeito foi cautelo nas suas decisões em relação ao erário público, o que resultou em poupança para os investimentos necessários.

“O que faltou foi a participação do Estado e da União. Se nós tivéssemos recebidos os recursos para atacar a calamidade pública, em três ou quatro meses a situação estaria resolvida.”