O valor da cesta básica em Bauru terminou o mês de agosto com alta de 6,8% em relação a julho. O preço mínimo dos itens encontrados nos supermercados da cidade soma R$ 157,79, maior valor registrado desde julho de 1999, quando o Data-ITE, ligado à Instituição Toledo de Ensino (ITE), passou a fazer o levantamento.
Em julho deste ano, a cesta básica era encontrada em Bauru por R$ 147,77, e em junho, o preço total era de R$ 141,89. A diferença entre esses dois meses já era grande: 9,4% a mais. Comparado com agosto de 2001, o valor da cesta básica é 13,3% superior. Naquele mês, o preço apurado foi de R$ 139,25.
Pela primeira vez no ano, todos os grupos de produtos da cesta sofreram aumento. Alimentação subiu 6,7%, higiene pessoal teve acréscimo de 6,3% e os itens de limpeza doméstica ficaram 7,9% mais caros.
Para o coordenador do Data-ITE, o economista Reinaldo César Cafeo, a elevação no preço mínimo de todos os grupos é reflexo do momento econômico conturbado do Brasil. â€œÉ uma demonstração de que os preços da economia estão contaminados por este momento de insegurança por que passa o Paísâ€, observa.
Para o economista, mesmo em setores de maior competição de preços, como o de alimentação, a produtividade não está conseguindo reduzir os custos, repassando-os para o consumidor.
Sem considerar o valor ponderado, isto é, o peso de cada produto em relação ao total de itens da cesta. A maior alta verificada foi da farinha de mandioca: 111%. O produto era encontrado em junho a um preço mínimo de R$ 0,36, e em agosto o menor valor foi de R$ 0,76.
Outras altas significativas foram a batata, 28,9% mais cara, e o desodorante spray, 21% a mais. As maiores baixas foram a cebola, com queda de 39,6% no preço, e a lingüiça, que caiu 16,5%.
Na opinião de Cafeo, a discrepância entre os valores dos itens pesquisados apresentam oscilações “absurdasâ€. A cebola, por exemplo, pode ser encontrada a preços que variam de R$ 0,29 a R$ 1,19: diferença de 310,3%. O valor da batata também foi verificado a preços que variam de R$ 0,49 a R$ 1,19, uma variação de 142,9%.
Quanto à diferença de preços entre os supermercados de diferentes regiões, o Centro é o que apresenta valores mais próximos do total da cidade: R$ 163,59. Na região Sul de Bauru foi verificada a cesta básica com custo mais alto: R$ 190,11, valor 20,5% maior que os R$ 157,79.
Pela metodologia utilizada pelo Data-ITE, de acordo com os critérios do Dieese, quem quiser comprar a cesta básica pelo valor mínimo deve percorrer todos os supermercados para comprar cada um dos 31 itens relacionados pelo menor valor encontrado.
No mercado
Para o economista Cafeo, os seguidos aumentos verificados pela pesquisa nos últimos dois meses demonstra que a cesta básica vem “onerando demasiadamente†o orçamento, ao passo que o poder de compra está sendo corroído pela falta de reposição salarial.
De fato, o valor da cesta encontrado na cidade em junho consumia 70,9% do salário mínimo. No mês de agosto, os mesmos itens, na mesma quantidade, representaram 78,9% do salário de R$ 200,00.
“A responsabilidade disso tudo é a questão do dólarâ€, declara o diretor de uma rede de supermercados da cidade, Cláudio Moura. Segundo ele, produtos como arroz, farinha de trigo e óleo de soja foram os que mais subiram nas últimas semanas.
No caso da soja, por exemplo, Moura diz que a “incerteza†do produtor quanto ao cenário econômico está sendo prejudicial. “Os produtores de soja estão com o produto guardado e não querem venderâ€, diz.
Quanto a itens de limpeza doméstica e higiene pessoal, que tiveram altas expressivas, Moura atribui o aumento exclusivamente às variações do dólar. “90% da matéria-prima dos produtos de limpeza e perfumaria é importado, ou seja, está tudo atrelado ao dólarâ€, afirma. E completa: â€œÉ tudo especulativo. Creio que esses preços devam retornar ao que eram em junho após as eleições.â€
Na opinião do gerente de compras Paulo Sanches, de uma rede de supermercados da cidade, trabalhar com o estoque cheio é a opção mais segura para não repassar as altas ao consumidor, como no caso da soja. “O mercado externo está muito mais atraente que o mercado interno. A soja é o que mais teve impacto no preço da cesta básicaâ€, observa.
Para Sanches, não há outra saída para quem quiser economizar a não ser pesquisar preços e procurar mercadorias de marcas alternativas. “A partir do momento em que o consumidor verificar que é possível substituir os produtos que estão prejudicando suas compras mensais, o que se pode fazer com esse produto? Vai ter que baixarâ€, declara.