09 de julho de 2026
Polícia

Dentista leva dois tiros em consultório

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

A dentista Adélia Setsuko Seki, 44 anos, levou dois tiros durante um possível assalto ocorrido na tarde de ontem em seu consultório, na quadra 7 da rua 7 de Setembro, Centro da cidade. Os assaltantes simularam ser pacientes. Um deles fugiu com a boca anestesiada.

Os dois assaltantes chegaram ao consultório com meia hora de atraso do horário agendado para a consulta. Um deles, moreno claro e bem vestido, que se apresentou como Christiano de Oliveira Souza, entrou para ser atendido pela dentista.

Seu comparsa permaneceu na sala de espera. A auxiliar da dentista ficou na sala de atendimento até que o paciente fosse anestesiado. Saiu para buscar um aparelho que estava na outra sala de atendimento.

Quando retornou, encontrou o “paciente” dando uma gravata na dentista. Assustou ao ver que ele tinha imobilizado a vítima e tentou fugir, mas acabou assistindo aos disparos do revólver.

A dentista foi atingida por dois tiros. Um atingiu a têmpora e foi se alojar no braço direito. O outro, atravessou o peito. A vítima caiu e foi socorrida com vida para o Hospital Beneficência Portuguesa.

A secretária conseguiu fugir pelos fundos do consultório e pediu socorro aos vizinhos. Ela não viu para onde os assaltantes fugiram.

Consciente

A dentista Adélia Seki chegou ao hospital com vida e consciente. Segundo informações de uma testemunha, ela passa bem e será submetida a uma cirurgia para a extração da bala que ficou alojada no seu braço. A arma usada pelos ladrões, possivelmente seja uma calibre 22, cuja bala anda pelo corpo.

Amadores

Para praticar o assalto, os ladrões simularam a procura pelo atendimento odontológico. Este detalhe, que normalmente passa despercebido, pode direcionar as investigações para uma outra hipótese que não de assalto. Uma vez que o assaltante teme ser reconhecido e a dupla agendou a consulta no dia anterior.

Caso seja confirmado o assalto, a polícia trabalhará com a hipótese de assaltante amador, pois deixou mais de cinco testemunhas que poderão reconhecê-lo. Outra possibilidade é de a dupla ser de outra cidade e, por isso, não temer o reconhecimento.

As polícias Civil e Militar estiveram no local. Segundo o delegado titular do 3.º Distrito Policial, área onde o fato aconteceu, Marcelo Nagib Haddad, todas as hipóteses serão investigadas. Ele não opinou sobre a causa do crime, mas não descartou a hipótese de não ter sido um assalto.

A suspeita de que o crime não tenha sido motivado pela subtração de bens foi levantada a partir de informações de uma testemunha que disse ter ouvido a vítima dizer que entregaria o dinheiro. Os assaltantes sairam do consultório sem levar qualquer objeto ou dinheiro.

Saiu com babador

Uma das testemunhas do crime viu quando um dos assaltantes saiu do consultório com o “babador” e com o revólver na mão. “Era um rapaz de 19 anos, mais ou menos. Bem vestido, ele saiu com o “babador” do dentista e só na rua colocou o revólver na cintura.”

A mulher lembra que os dois estavam tranqüilos e desceram a rua Gerson França, sentido estação ferroviária. “Eu havia ouvido os tiros e entrei no consultório. Encontrei a doutora caída. Ninguém foi atrás dos assaltantes”, lamentou.

A testemunha diz que conversou com a dentista, antes dela ser levada ao atendimento médico. “Ela falou comigo. Estava consciente.”

A comerciante lembra que já foi assaltada seis vezes. “Por aqui tem muito assalto. No penúltimo assalto que eu sofri, o ladrão estava me esperando dentro da loja.”

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Testemunha

A auxiliar da dentista, que teve seu nome preservado por questão de segurança, contou que na segunda-feira atendeu os dois assaltantes. “Eles vieram e agendaram uma consulta para às 16h30 de hoje.”

A dupla chegou atrasada, por volta das 17 horas. “O moreno claro entrou e eu coloquei ele na cadeira. A doutora anestesiou ele e começou o tratamento. Ela pediu para eu pegar um aparelho que estava na outra sala e eu fui.”

Quando retornou a auxiliar encontrou o “paciente” dando uma gravata na vítima. “Ela dizia que daria o dinheiro. Acho que ele se assustou com a minha entrada e atirou duas vezes nela. Eu sai correndo pelos fundos e ele tentou atirar em mim, mas não conhecia o prédio.”

A auxiliar pediu socorro na vizinhança, mas não conseguiu ver para onde os ladrões fugiram. “Eles estavam tranqüilos. Um deles ficou na sala de espera enquanto o outro era atendido.”