09 de julho de 2026
Articulistas

Presídios ou estâncias


| Tempo de leitura: 2 min

Estariam as penitenciárias de segurança máxima, localizadas nas principais capitais de Estados e, paralelamente, em muitas das cidades grandes, se transformando em quartéis de contingentes militares? Isto se pergunta porque, conforme noticiário que diariamente chega aos ouvidos estarrecidos do público, ditos presídios estão se aparentando arsenais de guerra, tal a quantidade de armas e munições que os presidiários neles estão mantendo avaramente depositada. E não somente instrumentos detonadores de projéteis balísticos, os mais sofisticados existentes nas praças, como, em volume também, aparelhos telefônicos moderníssimos, tipos Internet, celulares e companhia bela... Há estabelecimentos onde a vigilância já detectou e, conseqüentemente apreendeu, de uma só vez, até 200 exemplares de celulares, o que é algo espantoso. Mais que isso, preocupante, face ao risco que a anomalia representa para a normalidade funcional das casas, pois se os elementos perniciosos ali estão alojados é porque significam perigo para a sociedade e, conseqüentemente, não podem ter ao seu alcance os meios de ataque e defesa de que se cercam, com uma abundância fora de série, inclusive se capacitando para sua comunicação com a legião externa, transmitindo-lhe suas mensagens, que não devem ser benéficas para a sociedade, naturalmente. Não se sabe exatamente de onde procedem seus “apetrechos de guerra”, nem, também, como conseguem chegar às suas mãos. Mas, é evidente que não caem das enormes alturas dos céus, porque Deus não se presta, de maneira nenhuma, para armar trânsfugas, municiando-os, graciosamente, para o livre e amplo exercício dos seus programas de assaltos, seqüestros e assassinatos. Certamente, chegam ao mau destino tendo como condutores visitantes dos estabelecimentos, muitas vezes livres e desimpedidos, exigindo-se, então, vigilância mais cuidadosa e rigorosa do policiamento respectivo, porquanto é imperioso que os institutos sejam sempre mais presídios, exatamente presídios, que suntuosas e confortáveis “colônias de férias”, com os habitantes bem armados contra “indesejados” ataques da polícia. Concordam as autoridades? Então, conforme lamento que uma senhora despejou, há pouco, no microfone de uma emissora, acordem o Brasil que está dormindo a sono solto no gramado da criminalidade organizada. É também a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)