11 de julho de 2026
Articulistas

Faria bem ao Brasil mais ética na política


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Observando o andar da carruagem da atual campanha política no Brasil, estava fácil prever que, após o bombardeio que tirou fora do páreo Roseana Sarney, o que sacudiu a posição de Luiz Inácio Lula da Silva através do episódio ainda em andamento, em Santo André, os poderosos tentariam fazer de Ciro Gomes a bola da vez. Tendo ou não contra si, como nos casos anteriores, fato relevante que o desabone e prejudique a sua trajetória rumo à Presidência da República. Era previsível que os poderosos, não encontrando qualquer mácula no passado do candidato para prejudicá-lo, partissem para a lamentável incursão em sua vida pessoal. E não deu outra, daí o motivo deste meu artigo, inconformado que fiquei com o fato e na tentativa de - pelo menos dentro de meu alcance e até onde nossa comunicação possa chegar - reparar a injustiça com o meu testemunho.

Nos últimos dias, a mídia e adversários políticos vêm explorando um suposto lado machista do ex-ministro e ex-governador do Ceará. Interpretam erroneamente e como querem as palavras e a maneira de ser de Ciro, dando de ombros à realidade. A última é a de que o candidato “só tem mulher para a cama” e que a “vítima” atual seria a atriz Patrícia Pillar. Uma acusação que na prática não se confirma.

Vou citar um acontecimento que prova ser Ciro Gomes pessoa muito humana, sensível e com um grande respeito pelas mulheres. Tínhamos uma convenção muito importante de nossa agremiação política, o PPS - Partido Popular Socialista - marcada para a cidade de Araras e outra a ser realizada no Rio Grande do Sul. Naqueles dois dias, então inexplicavelmente, Ciro não compareceu às duas, o que deixou intrigados todos os convencionais. Só algum tempo depois, todos ficaram sabendo que por ocasião daqueles eventos, um próximo do outro, Patrícia Pillar tivera ciência da grave doença que a acometera. Ciro, diante de dois fatos importantes em sua carreira, optou pelo recolhimento no lar, permanecendo ao lado de Patrícia. O impacto psicológico foi terrível para ela e para o companheiro. Ele não se recolhera, é óbvio, atraído pelo prazer sexual. Julgou mais importante, naquele momento eleitoral, a solidariedade, o carinho, o afeto, a companhia do ente querido, mesmo sabendo que sua ausência nas convenções poderia ser interpretada como menosprezo aos correligionários. Isso prova o seu bom caráter, sua sensibilidade e o respeito pelo sexo feminino. Ciro é um grande amigo de Bauru. Nas oportunidades em que com ele estive, inclusive em viagem por várias cidades, presenciei a maneira como trata as pessoas, com atenção, carinho, respeito.

É claro que é preferível uma eleição com todos os desacertos do que a falta dela. Mas é preciso aperfeiçoar o processo democrático com mais ética na política. A exploração de temas como o citado, de caráter eminentemente pessoal e, além de tudo, distorcido, só contribui para o desprestígio de toda a classe política, atingindo a todos, sem exceção.

O Brasil - e isto não é novidade nos dias de hoje - tem níveis recordes de desemprego; a violência grassa por todos os cantos do País, a fome impera em amplas áreas e grande parte da população está doente, vitimada por males que remédios comuns e até o arroz com feijão curam. É preciso que os nossos políticos, mormente aqueles que estão no topo, nas lideranças, tenham sempre a solução dessas prioridades em mente. E que por serem problemas gigantescos, não deve sobrar tempo para cuidar da vida particular dos adversários. Também é fácil concluir que aqueles que tiveram muito tempo e oportunidades para solucionar esses problemas crônicos e não o fizeram, deveriam dar lugar àqueles que vêm com novas soluções. Mudanças que, se não fazem, o povo deve fazer. (Nilson Costa - jornalista e prefeito de Bauru)