08 de julho de 2026
Regional

Menor é detido com 20kg de entorpecente

Por Michelle Roxo | JCNet
| Tempo de leitura: 4 min

Assis - A Polícia Militar Rodoviária apreendeu ontem de madrugada 19,5 quilos de maconha e 255 gramas de haxixe com um jovem de 14 anos. A apreensão ocorreu durante uma fiscalização de rotina em frente à base operacional de Assis, no quilômetro 445 da rodovia Raposo Tavares (SP-270).

O adolescente S.A.S. viajava num ônibus da Viação Gontijo, que saiu de Foz do Iguaçu (PR) com destino a Belo Horizonte (MG). A maconha, acondicionada em 11 pacotes, e a porção de haxixe foram encontradas pela polícia dentro de uma bolsa, que estava acomodada no bagageiro superior do ônibus, sobre a poltrona na qual o adolescente estava sentado.

O jovem assumiu a propriedade da bolsa e foi detido, sob a acusação de tráfico de entorpecentes. Em seguida foi encaminhado à Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Assis e posteriormente conduzido à Vara da Infância e Juventude da cidade.

Segundo o delegado Sidnei Antônio Carli, titular da Dise de Assis, a Justiça definirá que tipo de penalidade será aplicada ao jovem.

“O menor é submetido ao estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê um procedimento no qual a autoridade policial lavra primeiro um chamado auto de apreensão e encaminha o adolescente ao promotor da Infância e da Juventude”, explica.

Na seqüência, segundo o delegado, o promotor, em face ao tipo de delito, aos antecedentes do adolescente e às circunstâncias pessoais do caso concreto, propõe ao juiz da Infância e da Juventude a aplicação da chamada medida sócioeducativa, que vai desde uma simples advertência, no caso de crimes pequenos, até uma internação pelo período máximo de três anos numa unidade especial para adolescentes infratores.

Segundo o delegado, em depoimento prestado à polícia, o adolescente alegou que estava transportando a droga a pedido do padrasto. “Pelas informações dele (o adolescente), o padrasto providenciou uma autorização judicial para ele viajar, lá no Paraná. Ele foi colocado dentro do ônibus com essa droga e o padrasto pegou um outro coletivo. O combinado é que eles se encontrariam na cidade de Belo Horizonte. Passado o perigo maior de uma prisão, o adolescente entregaria a droga para o padrasto lá em Belo Horizonte.”

De acordo com o delegado, o adolescente afirmou que não tinha informações sobre detalhes da comercialização da droga. Pelo transporte, ele disse que ganharia do padrasto uma quantia em dinheiro não revelada. Segundo o delegado, o adolescente mora com a avó em Foz do Iguaçu e o padrasto mora em Curitiba com a mãe do menino.

Carli afirma que as investigações sobre o caso vão prosseguir. “Eu vou entrar em contato com o Departamento de Investigações Sobre Narcótico (Denarc) de Curitiba e repassar todas as informações que foram coletadas do padrasto”. Até que as investigações confirmem, ou não, o envolvimento do padrasto no caso, seu nome será preservado.

Aumento do tráfico

Em relação a anos anteriores, o delegado avalia que a quantidade de apreensões vem crescendo na região. A maconha figura como a droga apreendida em quantidades mais expressivas. Em seguida, em valores bem menores, estariam o crack e a cocaína.

O delegado atribui o aumento do tráfico de drogas a alguns fatores sociais como o desemprego, o subemprego, o crescimento do crime organizado, além da falta de melhor estrutura das polícias na ação de combate e repressão.

“O crescimento do crime organizado vem demonstrando evidentemente hoje no Brasil a existência do poder paralelo. O narcotráfico no País está muito bem organizado, as quadrilhas são grandes. Há também um alto índice de consumidores de droga de todas as camadas sociais. Além disso, ainda falta um pouco mais de investimento na infra-estrutura da polícia como um todo para combater isso de forma mais eficaz. Não que não esteja sendo combatido, mas a gente não está dando conta.”

Menores no crime

Carli afirma que tem sido comum a utilização de menores no tráfico de drogas.

“Essa situação no Brasil hoje é muito comum, de maiores se utilizarem dos adolescentes para a prática do tráfico, do contrabando de armas. Todo o crime organizado hoje se utiliza de adolescentes. Pois existe a possibilidade dele ficar um tempo bem menor detido”.

Segundo o delegado, um caso com essas características ainda não havia sido registrado pela Dise de Assis. â€œÉ um caso sui generis. Um menino de 14 anos, ainda franzino, dotado de uma certa ingenuidade, transportando uma quantidade tão grande de droga. É um sintoma realmente do alto grau de degeneração que está chegando a criminalidade”.