08 de julho de 2026
Cultura

Ah! Este ser chamado homem!

Por Ercília Pollice | Especial para o JC Cultura
| Tempo de leitura: 1 min

O ser humano é deveras engraçado. Há de estar sempre achando faltas no outro e camuflando as suas próprias.

Será que há necessidade de estarmos sempre nos atribuindo troféus nos sucessos, que a maioria das vezes conseguimos em trabalho compartilhado com outras pessoas, e que sozinhos, certamente não teríamos conseguido sozinhos?

Humildade e gratidão são substantivos que não fazem parte do vocabulário da maioria dos mortais. Tudo vai bem, se está bem pra nós.

Somos incapazes de partilhar as vitórias, mas queremos que o outro compartilhe compreensivamente de nossas derrotas. Daí, exigimos solidariedade e respeito. Os acertos não queremos repartir com ninguém. Reparti-los, seria uma maneira gostosa de mostrar ao outro, que o admiramos e somos gratos de ter a sua amizade.

Via de regra, nos julgamos infalíveis. Isentos de qualquer falha, portanto, deixamos de mostrar a tal gratidão. Esta, não deveria ser nossa característica marcante, se é que estamos à procura de sermos melhores... mais gente!

A maturidade deveria marcar em nós, a certeza das nossas possibilidades, mas não só, mas também, a tranqüilidade de aceitar e administrar as nossas impossibilidades. Afinal, a nossa humanidade, nos permite acertar e errar. Não somos semi-deuses. Somos homens!

Rever atitudes e tentar mudá-las não nos fará mal algum. Pelo contrário, a compreensão dos nossos erros, nos fará mais perdoadores com os erros alheios.

Eis, no meu entender, o primeiro degrau, para uma vida mais alegre e mais gratificante na vivência e convivência. Uma vida mais rica de significados! Olhar além de nós mesmos, certamente nos fará crescer em ternura e humanidade. Afinal, pra que serve a vida, senão pra isto? (Ercília Ferraz de Arruda Pollice é escritora, poeta, acadêmica da Academia de Letras de Bauru e assessora de arte de Ju Machado-Escritório de Artes)