O Sindicato dos Professores (Apeoesp) recorreu à Justiça contra a decisão do dirigente regional de Ensino Jair Sanches Vieira de proibir nas escolas de Bauru a votação no plebiscito sobre a participação do Brasil na Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
No mandado de segurança impetrado no final da tarde de ontem, o departamento jurídico da entidade alega que a iniciativa de Sanches Vieira tolhe o direito de livre manifestação de pensamento, garantido na Constituição, e restringe a liberdade sindical.
O advogado da Apeoesp, César Augusto Monte Gobbo, espera para hoje uma manifestação do Poder Judiciário o que, na prática, não vai alterar em nada a participação do estudantes no plebiscito, que será encerrado amanhã.
Ontem, nas escolas em que a entrada das cédulas e urnas foi proibida, a votação foi realizada em frente às instituições de ensino. Segundo a Diretora da Apeoesp Marilene Carvalho Rocha pelo menos 200 alunos participaram do plebiscito no Stela Machado. “Mesmo com o impedimento, a participação estudantil foi muito significativa, já que permanecemos do lado de fora da escola apenas das 6h45 às 8hâ€, comemora.
Na opinião dela, a decisão de acionar a Justiça neste caso foi motivada pelo respeito à democracia. â€œÉ uma briga que a gente comprou, já que a Secretaria da Educação prega uma coisa e faz outraâ€, explica.
Marilene ainda esclareceu que a direção da Apeoesp em São Paulo protocolou um documento na Secretaria do Estado da Educação, no dia 22 de agosto, informando sobre a realização do plebiscito e pedindo autorização para a circulação das urna, mas não obteve resposta.
O resultado da votação sobre a adesão do Brasil à Alca, organizada nacionalmente pela Igreja Católica, partidos e sindicatos, será apurado terça-feira.