10 de julho de 2026
Polícia

Família de funileiro acusa a polícia de abuso de autoridade

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

A família do funileiro Cristiano Ferreira Soares, 23 anos, morador do Núcleo Mary Dota, apresentou no 2.º Distrito Policial (DP) queixas contra a atuação da Polícia Militar (PM). No início da noite de anteontem, policiais teriam entrado em sua casa à procura do suspeito de atirar na dentista Adélia Setsuko Seki, 44 anos, na última terça-feira. O suposto abuso de autoridade será investigado.

A dentista foi atingida por dois tiros durante um assalto em seu consultório na última terça-feira e passa bem. Um deles atingiu a têmpora e outro o peito. Um dos projéteis atravessou o peito e outro alojou-se no braço.

A esposa de Soares, Cláudia Cristino dos Santos, 20 anos, conta que estava saindo de casa com o marido e sua filha de 10 meses quando várias viaturas policiais pararam em frente ao portão.

“Eles já desceram do carro com as armas nas mãos, entrando e empurrando a gente para trás para entrar na casa. Eles não mostraram nem leram nada para a gente antes de entrar”, diz Cláudia.

Ela conta que a sacola que carregava com pertences da criança foi revistada e que os policiais pediram para que o bebê fosse retirado do carrinho.

“Eles mandaram eu abrir a porta. Estavam com revólver nas mãos e eu com a filha no colo. Fiquei com medo”, expõe.

Cláudia teria entrado na casa com alguns dos policiais enquanto outros ficaram na calçada com Cristiano. “Não ficou uma gaveta no lugar. Tiraram colchões, reviraram comida, roupas do bebê e móveis”, conta a mãe de Soares, Irlene Aparecida Ramos.

Cláudia acrescenta que os PMs não permitiram que ela fosse até a calçada, onde estava seu marido. “Quando cheguei lá fora, ele já estava algemado. Nós não entendemos nada e eles falaram que era uma suspeita de furto”, conta.

A casa de Irlene também foi revistada. O pai do rapaz, segundo ela conta, passou mal quando soube da abordagem policial. “Fizeram a gente passar uma vergonha que eu nunca passei”, observa a mãe.

Segundo Soares, foi no Plantão Policial que ele soube que era suspeito dos tiros disparados contra a dentista e que estava ali para um reconhecimento.

“Nem conversaram, nem falaram nada e já me algemaram. Eles foram grosseiros mesmo. Eu não sabia nem o que estava acontecendo. Eles queriam me prejudicar. Foi uma humilhação e eu tive que fazer o que eles queriam”, afirma Soares.

Ele não foi reconhecido pelas duas testemunhas como o autor dos disparos e foi liberado.

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Saúde

A dentista Adélia Setsuko Seki, 44 anos, baleada na última terça-feira em seu consultório, continua internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Beneficência Portuguesa. Apesar de seu estado ser considerado grave, ela passa bem. Segundo informações do hospital, ela foi submetida a uma cirurgia para a extração de um dos projéteis.