08 de julho de 2026
Articulistas

O sol da independência


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Um sol excepcionalmente fulgurante fazia seus luminosos raios passearem pelas colinas do Ipiranga, induzindo à crença de que um valioso presente estava reservado para o País naquela manhã primaveril. O ano era 1822. O dia, 7 de setembro. Na tosca estrada de terra e pedregulho Pedro I e sua comitiva subiam a longa escarpada, cavalgando vagarosamente de Santos para São Paulo, quando ali foi o imperador abordado por mensageiros para lhe entregar correspondências que um navio luso trouxera de Lisboa. Pedro abre rapidamente o envelope e não consegue conter perceptível cólera provocada pelo seu conteúdo. Era mais uma austera determinação da Corte tendo em vista rigorizar mais, tanto quanto possível, providências contra as sublevações sociais que vinham irrompendo de Norte a Sul do País, desde algum tempo, defendendo a imediata abolição do regime imperialista português em vigor na nação desde a sua descoberta. E o imperador, que já tinha criado no peito sentimentos brasílicos, entendeu ser a hora precisa de satisfazer aos anseios de libertação da Nação, que desde 1500 vivia subordinado aos rigores da legislação estrangeira e à imperiosidade da remessa ininterrúpta de bens materiais para absoluto usufruto do Reinado. Assim, sem hesitar nem um segundo e trocar idéias com seus seguidores, levantou a espada para proclamar a independência brasileira, abrindo horizontes para que o Brasil assumisse seu próprio governo, passando a andar segundo leis que ele próprio estabeleceria através do tempo, tornando-se posteriormente uma República Federativa, isto é, constituída de Estados, Territórios e um Distrito Federal, que passaram a viver numa “federação”, como seja, a união ou associação indissolúvel, com um governo federal e os estaduais que gozam de autonomia, o que viria a nascer e se consolidar indissoluvelmente depois da Revolução de 1964.

Hoje, comemora o Brasil 180 anos de sua libertação político-administrativa. Foi uma conquista, sem dúvida, mas é honesto lembrar que isso não foi suficiente para que a Nação pudesse considerar-se liberta em todos os sentidos, pois economicamente não ficou e não o está hoje, há que se lembrar, presa que está há muitos anos às imposições das principais economias do mundo por força de sacrificantes dívidas externas que não lhe permitem esconder-se do sol abrasador do subdesenvolvimento de suas instituições oficiais e públicas. Então, hoje é dia de perguntar-se quando conseguiremos livrar-nos dos embaraços de importações e exportações desequilibradas e dos fabulosos débitos financeiros internacionais, que amarram aos sete maiores do mundo os nossos braços e pernas? Quando, realmente, poderemos festejar a independência real e plena com que sonhamos, precisamos e merecemos? Vamos ter que lutar bem mais para consegui-lo! Teremos que subir no Ipiranga mais uma vez, desembainhar de novo a nossa espada e repetir o “Independência ou Morte”? É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)