11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Floristas registram queda nas vendas

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Proprietários de floriculturas de Bauru estão reclamando de que o sistema de funcionamento do mercado de flores e plantas da Central de Abastecimento S/A (Ceasa) estaria prejudicando o segmento e se refletindo em quedas de até 60% nas vendas de alguns comerciantes. O mercado foi inaugurado em maio de 1999 com a proposta de atuar no sistema de atacado para atender comerciantes da região de Bauru, sul do Mato Grosso e norte do Paraná.

De acordo com o lojista Jorge Quatrina, representante dos floristas, o grande problema está na mudança ocorrida no sistema de atuação do mercado de flores poucos meses após sua criação, que passou a atuar no varejo.

Lojistas reclamam de que a venda para o consumidor final feita pela Ceasa com preços mais baixos tem causado prejuízos financeiros à categoria. No caso de Quatrina, ele afirma que de dois anos para cá as vendas em sua floricultura caíram cerca de 60%.

“O projeto inicial era prestar atendimento somente no atacado, abrir espaço para a comercialização de flores e gerar novos empregos. A diretoria da Ceasa disse que a implantação do mercado era baseada em estudos feitos anteriormente. Mas isso não foi seguido”, lamenta Quatrina.

Segundo ele, quando o mercado de flores foi criado diversos floristas de Bauru fizeram um cadastro. Cerca de dois meses depois, teria sido feita uma reunião na qual a diretoria da Ceasa informou que o mercado passaria a atender no varejo também.

“Primeiro, o mercado abria às terças-feiras, no período da manhã, só para atacado. Depois, nós ficamos com o horário das 6h às 11h, e das 11h às 12h, abria ao público. Agora, funciona às terças e sextas-feiras, sendo que somente das 6h às 8h é para floristas e, das 8h às 12h para o público. Eles mudaram todo o projeto”, acusa o comerciante.

Quatrina apresentou à reportagem um documento enviado à diretoria da Ceasa, datado de 2 de fevereiro de 2000 e assinado por vários lojistas de Bauru. No texto constam algumas sugestões que visavam fortalecer a parceria firmada com os floristas. Porém, nada teria sido feito.

“Nós temos gastos mensais altíssimos com o pagamento de impostos e de funcionários. Na Ceasa, os gastos dos permissionários são bem menores. Isso afeta diretamente o nosso mercado”, observa.

Gastos

O comerciante Juliano Augusto Pinto diz que, de aproximadamente dois anos para cá, vem registrando queda nas vendas em torno de 20%.

“O objetivo inicial do projeto se perdeu. Atualmente, tenho fornecedores que trazem a mercadoria na porta da minha floricultura e cobram quase os mesmos preços da Ceasa. O problema é que muitas pessoas não entendem que os nossos preços são diferentes de lá porque temos muitos gastos. Nós não vendemos somente flores. Existem produtos que são encontrados somente em floriculturas”, diz Augusto.

O lojista também reclama de que não existe mais severidade na divisão dos horários. “Eu já encontrei diversos clientes meus na Ceasa durante o horário que deveria ser reservado somente para as vendas no atacado”, conta.

O comerciante Osni Pinto também reclama de queda nas vendas, em torno de 30%, desde que o mercado de flores e plantas da Ceasa passou a abrir para o público em geral.

“O setor de floriculturas está sofrendo com tudo isso. Mensalmente, eu tenho gastos obrigatórios que giram em torno de R$ 4 mil a R$ 5 mil. Isso sem falar de todos os aumentos, como o da gasolina. Só o aluguel da minha loja custa R$ 800,00. Quem vende na Ceasa tem gastos muito menores. Por isso, o ideal era seguir o projeto inicial, o que não aconteceu”, observa o comerciante.

Ceasa

O gerente de operações da Central de Abastecimento S/A (Ceasa), Edson Antônio Guarido Ribeiro, contesta algumas informações passadas pelos lojistas consultados pela reportagem. Segundo ele, desde o início das atividades do mercado de flores e plantas existia um horário reservado para o atendimento ao público: das 11h às 12h.

“O que mudou foi a ampliação do horário destinado ao consumidor, que agora é das 8h ao meio-dia, e a quantidade de dias da semana em que o mercado abre, que passou para terças e sextas-feiras. Mas isso foi um pedido dos permissionários, porque o movimento por parte dos comerciantes não estava sendo suficiente para o trabalho deles. Os lojistas não corresponderam às expectativas”, afirma Ribeiro.

O gerente destaca, ainda, que os fornecedores que trabalham na Ceasa também têm gastos, como o pagamento de encargos sociais, de transporte e o aluguel mensal pago pela utilização dos boxes de 18 metros quadrados (cada um), que é de R$ 102,00. Segundo Ribeiro, atualmente existem cerca de 28 permissionários trabalhando no mercado de flores e plantas.

O cadastro de lojistas chegou a ter, no início, cerca de 70 nomes de comerciantes de Bauru e de cidades da região, segundo informa Ribeiro. Atualmente, a maioria dos atacadistas que continuam freqüentando o mercado seria de cidades como Agudos, Botucatu, Pederneiras, Lençóis Paulista, entre outras cidades.