Se barulho de música e de animais de estimação incomoda tantas pessoas, imagine a decolagem de um avião ou a passagem de um trem. Pode parecer insuportável para quem preza pelo sossego, mas os moradores dos arredores do aeroporto e da ferrovia dizem não ficarem pertubados com o ruído de seus vizinhos.
Como chegaram ao local cientes de que teriam que conviver com o som alto e freqüente dos meios de transporte, essas pessoas procuraram se habituar com o que teriam de enfrentar. â€œÉ o preço do progresso. Queremos um aeroporto próximo da cidade, então temos que suportar o barulhoâ€, diz o médico Juvenal Secco Júnior, que mora bem em frente à pista do aeroporto de Bauru.
Ele conta que sabe de cor os horários de pouso e decolagem das aeronaves e que não se sente incomodado com isso. “O aeroporto nem tem tanto movimento assim e é algo que dá para suportarâ€, destaca.
O médico diz que a rua, às vezes, causa mais transtorno que o próprio aeroporto. “Eu me incomodo mais com o barulho dos carros que passam pela via do que com os aviõesâ€, salienta o médico.
O aposentado Antonio de Pádua Siqueira, que mora bem em frente à cabeceira da pista, também não se mostra preocupado com o barulho dos aviões. Ele diz que o maior problema é a poeira levantada pelas aeronaves ao decolar ou pousar. “Isso é o que mais atrapalha. No mais, temos que nos conformar com o ruídoâ€, destaca.
De acordo com ele, o problema maior é quando o avião está com muita carga. "Se é apenas avião de passageiro, não faz tanto barulho para subir. Mas, os cargueiros ligam as turbinas no último e fazem um estrondo", salienta.
Mesmo assim, o aposentado diz que não se sente tão incomodado com o barulho. "Além disso, nós temos que nos conformar, pois não acredito que o aeroporto vai mudar daqui tão cedo."
A aposentada Maria Cristina Izar da Rocha, também vizinha ao aeroporto, concorda com Siqueira. De acordo com ela, os moradores nem têm o direito de reclamar. “A maioria das pessoas chegou aqui depois da inauguração do aeroporto, ou seja, já veio para cá sabendo que teria de ouvir o barulho dos aviõesâ€, afirma.
Do outro lado da cidade, muda o veículo de locomoção, mas a situação é a mesma. Os moradores do Jardim Santana que vivem à margem da linha do trem, também não estão preocupados com a passagem da composição. Eles dizem que atualmente diminuiu bastante a quantidade de locomotivas que passam pelo local e que isso já nem faz diferença para os moradores.
A professora aposentada Maria Virgínia Smizmaul, por exemplo, que reside no bairro há 14 anos aproximadamente, conta que as pessoas nem percebem que o trem está passando. “A gente se acostuma tanto com o ruído que nem nota maisâ€, salienta.
O único problema apontado por ela é com relação à cancela que existe nas proximidades. De acordo com a professora, algumas vezes ela quebra e dispara um alarme constante. “O barulho é muito chato e fica 'martelando' na cabeça.â€