Quando as regras são respeitadas e o espaço do outro não é invadido de forma violenta, a convivência entre vizinhos costuma ser muito produtiva, principalmente nos bairros mais tradicionais da cidade, nos quais as amizades fazem história.
A professora aposentada Maria Virgínia Smizmaul, que mora no Jardim Santana, conta que a vizinhança faz a diferença. “As pessoas criaram um vínculo de amizade e uns ajudam os outrosâ€, diz.
De acordo com ela, os moradores da redondeza são muito unidos e costumam colaborar em diversos aspectos. “Quando alguém vai viajar, os vizinhos tomam conta da casa, vigiam e ficam de olho em movimentos estranhos para evitar furtosâ€, destaca.
Isso vale também no caso de um problema de saúde ou dos cuidados com a área comum. “A gente tem o costume de visitar os vizinhos para saber se eles estão bem e se estão precisando de ajudaâ€, destaca.
Como têm como objetivo comum preservar o bairro onde vivem, as pessoas se revezam para varrer a rua e capinar a calçada próxima à linha do trem.
Na Vila Cardia, outro bairro antigo da cidade, os moradores também costumam praticar a política da boa vizinhança. A dona de casa Iolanda Benedita Colombo, que mora há quase 40 anos no bairro, diz que a colaboração dos vizinhos é muito importante para ela. “Eu sou viúva e muitas vezes necessito de apoio dos vizinhosâ€, lembra.
Ela conta que na rua todos se conhecem e se preocupam com o bem-estar do vizinho. “Quando alguém precisa de alguma coisa, sempre consegue procurando na vizinhançaâ€, diz.
Entre as colaborações trocadas entre os moradores, ela destaca a vigilância e os cuidados com os animais. “Se a gente precisa viajar, pede para o vizinho dar uma olhada na casa, alimentar o cachorro e acender a luz à noiteâ€, diz.
Durante todo o tempo que mora no local, Iolanda conta que só teve problemas com uma vizinha, por causa do saco de lixo. Mas a pessoa mudou-se e ela voltou a ter sossego. “Essa vizinha implicou comigo porque eu colocava o meu saco de lixo junto com o dela para o lixeiro levarâ€, diz, explicando que agia dessa forma por costume, já que a antiga moradora da casa ao lado permitia essa prática.
Morador do mesmo bairro, o funcionário público estadual Geraldo Batista classifica a sua vizinhança como “boaâ€. De acordo com ele, as pessoas sempre procuram colaborar com quem precisa. “A gente troca favores e um respeita o espaço do outroâ€, esclarece.
Como os vizinhos costumam freqüentar a mesma igreja, isso torna-se um fator a mais de união. â€œÉ muito bom ter esse contato com as pessoas do bairro, pois melhora a convivênciaâ€, diz.
Segurança pública
A amizade entre os vizinhos é positiva também com relação à segurança pública. O coordenador operacional interino do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI), capitão Manoel Messias Mello, destaca que a polícia encara a segurança em dois níveis: o primário e o secundário.
No primário, a participação da comunidade é essencial para a prevenção da criminalidade. “Quando os vizinhos mantém um bom relacionamento, eles acabam colaborando com a políciaâ€, salienta.
Isso porque as pessoas que moram na redondeza são as que têm maior capacidade de analisar o que está errado no bairro. “Os vizinhos conhecem a rotina do local e logo percebem quando tem alguém estranho na áreaâ€, ressalta.
Isso funciona principalmente quando o vizinho está ausente. As pessoas se tornam protetoras do patrimônio alheio e colaboram para a tranqüilidade do bairro. “Essa participação é muito interessante para a políciaâ€, esclarece o capitão Messias.
De acordo com ele, esse comportamento comunitário ajuda até mesmo na formação dos filhos. “Se as pessoas têm essa noção de cuidar do bem público e alheio, elas conseguem passar isso para as crianças e corrigir as que insistem em praticar pequenos delitos, como pichar o muro e destruir lixeirasâ€, ressalta.