PODER X DEMOCRACIA
“Caros amigos poderosos.
Peço-lhes que olhem à direita, à esquerda e para si mesmos e analisem tudo o que está acontecendo. O poder antes pertencia a um rei, hoje está nas mãos dos bárbaros e poderosos. Muitas vezes também envolvidos com as tiranias da Nação, roubam o direito de estudar, de aprender, de se alimentar, das pessoas, tudo para o seu próprio benefício. Então, peço-lhes que olhem, vejam, analisem tudo o que está acontecendo e façam algo para devolver ao povo, aos jovens o direito de pelo menos sonhar com a paz.†(Emily dos Anjos, aluna da 6ª série B da EE “Prof. Ayrton Buschâ€)
O aluno, também da 6ª B em recuperação paralela, deixa-nos a seguinte mensagem: “Poderosos, os miseráveis estão cansados de comer a comida do lixão e não ter onde dormir, pois dormem nas calçadas. Ajudem-nos, por favor.†(Wéverton Michel Picoli)
Amigos, não podemos discriminar as pessoas porque vivem em um bairro periférico como o Parque Jaraguá. Há pessoas muito capacitadas no bairro. Emily, Wéverton, alunos de escola pública, após lerem, interpretarem contos de rei, príncipe e princesa, fizeram uma leitura coerente de mundo partilhado, pois compararam o texto lido com leituras do Jornal da Cidade, da revista IstoÉ, em sala de aula e conseguiram enviar as mensagens relatadas acima para os poderosos da Pátria. Percebe-se que a filosofia da escola estadual dá uma grande abertura para que o aluno leia, opine e chegue a conclusão realista do que acontece no mundo. O que mais os alunos querem é que continue a liberdade de expressão, a democracia e não calar a voz do povo como fizeram com o repórter da Globo, Tim Lopes, pois a maior felicidade dos alunos que vivem oprimidos pela sorte é poder falar e buscar um remédio, um caminho que acalme a alma de quem às vezes é excluído. Emily tremeu muito, estava insegura antes de ler esta mensagem para o nosso dirigente regional de Ensino, professor Jair Sanches Vieira, e para a supervisora Nair Requena e seus colegas. Porém, foi muito estimulada por mim, professora de Língua Portuguesa. Hoje percebe-se que está feliz por ter vencido este primeiro obstáculo, falar com a platéia. Obrigada, professor Jair, por ser um dirigente itinerante, que vive levando às escolas entusiasmo, coragem, argumentações, a essência, pois até parece que o pequeno príncipe que vivia trancafiado no baú do esquecimento, junto com os livros filosóficos e pedagógicos da nova escola, ressuscitou e hoje conta suas histórias entre os alunos e professores da escola pública. A mensagem que o dirigente nos deixou, quando passou por aqui, jamais a esqueceremos. “Nunca vi, atrás de um caixão de quem jaz, um caminhão de mudanças.†Os alunos da professora Suzana pareciam estar em comunhão com o que foi dito pelo nosso dirigente, pois de suas bocas e mímicas, mensagens bíblicas foram exaladas no ar, unindo a todos os presentes com a essência da alma e da emoção.
A administração, os funcionários, os professores e os alunos da EE “Prof. Ayrton Busch†agradecem-nos.