A chegada de uma frente fria em todo o Interior do Estado de São Paulo, no início da madrugada de ontem, provocou uma forte ventania em Bauru que derrubou árvores, rompeu a rede elétrica e telefônica e destelhou casas e estabelecimentos comerciais em diversos bairros.
De acordo com o Corpo de Bombeiros e a Comissão Municipal de Defesa Civil, que atenderam chamados de socorro durante toda a madrugada, ninguém ficou ferido.
Segundo Zildene Pedrosa de Oliveira Emílio, meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), os ventos que sopraram durante a noite e a madrugada tinham a velocidade entre 40 e 50 km/h.
A rajada mais forte na região onde está o Instituto, nas proximidades do câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp), foi de 61,38 km/h, registrada às 0h45 de ontem. Outras rajadas fortes aconteceram à 1h (51 km/h) e às 3h (50 km/h). â€œÉ possível que em outros pontos da cidade tenham havido rajadas mais fortesâ€, ressalta Emílio.
O vento, que começou a soprar mais forte no final da noite de sexta-feira provocou quedas de árvores na quadra 2 da rua João Leite, no núcleo Otávio Rasi; na quadra 6 da rua Azarias Leite, no Centro; na quadra 1 da rua dos Ferroviários e também na primeira quadra da avenida dos Lavradores, no núcleo Gasparini; e no final da avenida Getúlio Vargas, no Jardim Aeroporto, entre outros pontos da cidade.
O caso mais grave ocorreu na Avenida das Laranjeiras, no Núcleo Ernesto Geisel, onde os galhos uma sibipiruna de mais de dez metros caíram fechando o trânsito da via pública e atingindo a entrada de uma residência na quadra 5. Nenhuma pessoa foi atingida, mas a queda dos galhos provocou falta momentânea de energia elétrica e o rompimento da linha telefônica, que até a manhã de ontem ainda não havia sido restabelecida.
De acordo com os moradores da avenida, a existência de árvores tão grandes no canteiro central da via são um risco para as residências. “A gente não consegue dormir tranqüila quando tem temporal, é um absurdo porque se a gente tenta cortar os galhos e ainda é multadaâ€, reclama a dona de casa Cristina Ribeiro Lopes, moradora da quadra 5. “Se uma árvore dessas cair na minha casa e estraga tudo, quem vai pagar o prejuízo?â€, questiona.
Segundo outro morador do local, o microempresário Valdinei dos Santos, não é a primeira vez que galhos das árvores do canteiro central da avenida caem durante ventanias. “Eles deveriam ter colocado árvores baixas aqui, Essas que plantaram são muito grandes e muitas estão com galhos podres. São um grande riscoâ€, diz.
Destelhamentos
De acordo com o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, foram atendidos casos de destelhamento na quadra 6 da rua Gaudêncio Piola, na Vila São Paulo, na quadra 2 da rua 50, no núcleo Mary Dota, na quadra 2 do Jardim TV e na quadra 3 da Pousada da Esperança 2.
Segundo Sérgio Vieira Lavras, da Defesa Civil, as famílias foram socorridas e telhas foram destinadas para recuperar os estragos nas residências. “No caso da Pousada da Esperança, a família está passando por muitas dificuldades e nós gostaríamos de receber qualquer tipo de doação para elesâ€, afirma Lavras.
Os casos mais sérios de destelhamento aconteceram no Distrito Industrial 3, por volta das 4h da madrugada. Um barracão em construção que havia começado a ser coberto anteontem caiu por completo, nem as paredes resistiram. Segundo o proprietário, Jurandir Sérgio Posca, no local funcionaria uma fábrica de luminosos.
Telhas de um depósito de gás próximo do barracão também foram arrancadas pela força do vento. O pior aconteceu em uma concessionária de caminhões na mesma rua do depósito. O vendaval destruiu por completo toda a armação metálica e o telhado do pátio da oficina, uma área de, aproximadamente, 100 metros.
“Nunca vi uma coisa dessa de pertoâ€, afirma o gerente de peças da concessionária Rogério Polachini, que ontem de manhã ainda avaliava os estragos e o monte de metal retorcido que havia se espalhado por todo o local. “Tivemos sorte porque não havia ninguém trabalhando além do vigia, se fosse de dia teria sido piorâ€, lembra.
Polachini ainda não sabe avaliar o prejuízo da empresa, apenas diz que “foi muita coisaâ€. Além da queda do telhado, os caminhões que estavam no pátio do outro lado da concessionária foram atingidos pelas folhas metálicas da cobertura que foram levadas pelo vento até o outro lado da rodovia.
Serviço
Defesa Civil, informações: (14) 9651-0304.
O tempo hoje
Segundo a meteorologista Zildene Pedrosa de Oliveira Emílio, do IPmet, a frente fria que trouxe os ventos na sexta-feira já passou.
A tendência para hoje na região de Bauru, explica Zildene, é de que o tempo melhore.
O sol pode sair e não devem acontecer chuvas. As temperaturas, porém, devem cair devido a presença de uma massa de ar frio que está chegando.