09 de julho de 2026
Bairros

Vila Tecnológica pede ajuda ao MP

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 3 min

Representantes da Associação de Moradores da Vila Tecnológica protocolaram ontem, na 3.ª Vara Cível de Bauru, um documento solicitando providências sobre uma série de irregularidades constatadas pelos proprietários dos imóveis. O maior problema é a deterioração precoce dos materiais empregados e que podem comprometer a estrutura das casas.

Os moradores alegam que desde a ocupação das 101 residências e um prédio de 16 apartamentos, nunca existiu um acompanhamento dessas novas tecnologias construtivas e dos materiais. Nesse sentido, os moradores solicitam um acompanhamento técnico, pois várias casas apresentam problemas de trincas nas obras de alvenaria, frestas nas construções de madeira, que também não apresentam acabamento adequado nos banheiros.

Os boxes não possuem revestimentos e o suporte da caixa d’água é de madeira. Em algumas casas as vigas deixam à mostra as ferragens.

Dentre as solicitações da carta protocolada está ainda a revisão do preço dos imóveis, já que foram construídos com materiais alternativos com o objetivo de redução de custos. Os moradores chegam a pagar o valor de uma casa convencional.

O presidente da associação de moradores Cássio Eduardo Vannuzini, cita que o documento também cobra uma postura judicial diante à regularização dos imóveis. “A maioria das casas não possui habite-se, portanto há impossibilidade de averbação do imóvel e do registro do contrato em cartório”, afirma.

Segundo Vannuzini, os moradores sequer conhecem a situação verdadeira do bairro, pois quando se dirigem ao cartório consta somente registro de um loteamento chamado Vila Tecnológica e na Caixa Econômica Federal são informados que não consta absolutamente nada sobre a Vila Tecnológica, embora a Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) afirme que repassa os valores recebidos à Caixa Econômica Federal.

No último dia 24 de julho, os moradores chamaram a Cohab para participar de uma reunião entretanto alegam que nenhum representante da companhia compareceu para esclarecer as dúvidas.

Novela

Em março deste ano, os moradores se organizaram em associação para tentar resolver o problema e encaminharam um ofício à Câmara Municipal aos cuidados da vereadora Majô Jandreice, que encaminhou o processo à Prefeitura e à Secretaria Municipal do Planajamento (Seplan). Ambas remeteram-se à Cohab.

Por sua vez, a Cohab alegou aos envolvidos que muitas construtoras que fizeram as casas já não existem mais e portanto, não há possibilidade de se providenciar o habite-se dessas casas, porém nem sequer as empresas construtoras da cidade de Bauru, que são maioria absoluta, não providenciaram o habite-se das casas.

O engenheiro Adilson Renófio, professor-doutor do Departamento de Engenharia do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em uma vistoria no bairro e constatou que vários materiais mostraram-se inadequados ao uso pretendido, bem como existem problemas estruturais em várias casas. O laudo final deve ser divulgado nos próximos dias.

Ontem, numa breve audiência com o promotor da Habitação José Carlos Carneiro, o representante dos moradores foram orientados a protocolar o documento na Promotoria da Cidadania. Agora, eles esperam o agendamento de uma nova reunião.

Novo projeto

A Vila Tecnológica da cidade de Bauru resultou de um projeto desenvolvido pelo Governo Federal através do Programa de Difusão de Tecnologia para Construção de Habitação de Baixo Custo (Protech) e a Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) que visava a obtenção de melhoria de qualidade, redução de custo em núcleos habitacionais e principalmente atender a população de baixa renda.

As unidades habitacionais da Vila Tecnológica de Bauru foram edificadas numa área de 56 mil metros quadrados, próxima à avenida Lúcio Luciano, adjacente ao Conjunto Habitacional Bauru 25, sendo inaugurada em 1996.

O programa utilizou onze tecnologias construtivas distintas, que através das respectivas empresas construtoras, assumiram a construção do número de unidades habitacionais contratadas, sendo 92 o número total de unidades do conjunto.

A prefeitura participou na infra-estrutura da obra, como cessão e terraplanagem dos terrenos, implantação de redes de água, luz, esgotos, guias e sarjetas.

As unidades foram comercializadas através da Cohab e deveriam receber acompanhamento pelo Conselho Técnico da Secretaria da Habitação Federal, que avaliaria o comportamento da construção sob vários aspectos.