Agudos - Um dia antes do fatídico 11 de setembro, um artefato, semelhante a uma bomba, fez com que o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) se deslocasse da Capital para desarmar o explosivo em uma escola de Agudos. O grupo atende em média uma ocorrência deste tipo por dia em São Paulo, sendo que 70% delas são trote ou brincadeira de “mau gostoâ€, como enfatizou o capitão Ricardo Folkis do grupo especial.
A ameaça de explosão na escola estadual “João Batista Ribeiro†começou por volta das 7h20 com um telefonema anônimo. Uma voz feminina avisou a diretoria que havia uma bomba no estabelecimento de ensino.
Outro telefonema em seguida, confirmou a presença da bomba e pediu cuidado com os anexos. A diretoria da escola passou a procurar pela bomba e pediu para que os alunos e professores que ocupavam os dois anexos da escola, desocupassem o local.
Duas horas depois, duas alunas encontraram o artefato no banheiro feminino do anexo da escola. A “bomba†estava atrás do vaso sanitário, onde foi cuidadosamente colocada pelo autor da “brincadeiraâ€.
A Polícia Militar foi acionada e o especialista em explosivo da PM de Bauru, tenente Renato Ramos, foi para o local. O prédio foi evacuado e as aulas suspensas. “Nenhuma hipótese é descartada em situações como esta. O artefato pode ser apenas uma brincadeira, porém não podemos arriscar quando se trata de vidas humanasâ€, disse o tenente antes do Gate chegar.
De acordo com o tenente, quando um artefato semelhante a um explosivo é encontrado, a PM adota um procedimento operacional padrão. “A partir da localização do artefato, a área deve ser isolada e o esquadrão antibomba acionado.â€
O grupo especial faz uma análise do material encontrado e pode optar por uma intervenção direta. “Eles fazem uma análise e se houver possibilidade fazem o desmantelamento no local. Colocam uma carga secundária ao lado da ‘bomba’ para provocar a explosão do artefato, inutilizando-oâ€, explicou o especialista.
Segundo Ramos, o artefato encontrado continha o esteriótipo de bomba. “Tubos ligados a uma relógio digital. Para ele a data é preocupante.†Um dia antes do fatídico 11 de setembro, não esperávamos.â€
Cuidado com os anexos
A diretora da escola Thelma Travaini acredita que a brincadeira foi fruto da grande repercussão do ataque ocorrido um ano atrás em Nova York. “Foi uma brincadeira de mau gosto.†Ela contou que no momento da ameaça haviam cerca de 600 alunos, todos adolescentes na escola. “Quando o artefato foi encontrado, os estudantes dos anexos já tinham sido retirados do local. A partir do encontro da ‘bomba’ resolvemos dispensar todos os alunos, por orientação da polícia.â€
Ela lembrou que o artefato foi encontrado por duas alunas que foram até o banheiro feminino do anexo. “O segundo telefonema dizia para tomar cuidado com os anexos. Assim que a ‘bomba’ foi encontrada, avisamos a polícia.â€
Sem explosivo
Agudos - O capitão do Gate, Ricardo Folkis garantiu que o artefato encontrado na escola de Agudos não continha explosivo.†Era um simulacro muito bem feito. Para leigos parecia ser explosivo. Ele tinha todas as características de um artefato com dispositivo de iniciação na forma de um relógio, canos de PVC parecendo ser a banana de dinamite etc.â€
O capitão não encarou como uma prévia do 11 de setembro. “Para nós do Gate e da PM, este tipo de ocorrência é rotina, especialmente na Capital. A gente não encara como uma prévia do atentado de 11 de setembro.â€
Ele informou que desativar o artefato não demorou mais do que 10 minutos.†Fazemos em média um ao dia na Capital. Cerca de 70% deles são simulacros e 30% são verdadeiros.
O capitão frisou que o “brincalhão†deveria analisar os custos que uma brincadeira dessa causa para o Estado.†Deslocamos a equipe anti-bombas para cá. Se ocorre um fato real estamos empenhados e a sociedade pode perder muito, além dos gastos financeiros.â€
Ele ressaltou que as ameaças em escolas são, na maioria das vezes, “brincadeira†de estudantes que querem matar aula ou adiar provas.†Eles fazem isso para cancelar as atividades escolares.â€