10 de julho de 2026
Polícia

Triângulo amoroso motiva assassinato no Vista Alegre

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

A ajudante geral Maria Ivone Falavinha de Moraes, 50 anos, é acusada de ter matado seu marido com várias facadas, ontem pela manhã em Bauru. Ela entregou-se à polícia e disse que cometeu o crime para atender a um pedido de seu namorado, R.A.S., 35 anos, com quem mantinha um relacionamento amoroso havia seis anos.

O assassinato aconteceu no interior da casa do casal, na quadra 6 da Alameda das Primaveras, Parque Vista Alegre, no início da manhã de ontem. Ela é acusada de desferir os golpes em Sidney Aparecido da Silva, 51 anos, pai de suas filhas e seu marido há mais de 20 anos.

As duas filhas do casal fugiram para a rua após terem sido agredidas pela mãe com uma tábua de carne. A Polícia Militar, por volta das 6h, recebeu um comunicado de que havia tido desinteligência entre mãe e filha.

Na casa, os policiais da Base Leste encontraram uma das filhas do casal, de 20 anos, que teve seu nome preservado, ensangüentada. Ela teve o nariz quebrado. A filha disse aos policiais que tanto ela quanto a irmã tinham sido agredidas pela mãe com uma tábua de carne.

Elas desconfiavam que a mãe tinha matado o pai, pois havia sangue pela casa. Como a residência estava fechada e ninguém atendia aos chamados, os policiais pediram permissão à moça e arrombaram a porta da frente.

Eles encontraram o corpo de Sidney em meio a uma poça de sangue, na sala. A Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros foi acionada, mas a vítima não chegou a ser socorrida porque já estava morta. As filhas, com ferimentos leves, foram levadas ao Pronto-Socorro Municipal.

A mulher fugiu para a Vila São Paulo, onde morava R.A.S., na esperança de encontrá-lo. Porém, o rapaz descartou a possibilidade do encontro porque ainda estava com sua família.

Desiludida com a atitude do seu namorado, Maria Ivone telefonou para a Polícia Militar e se entregou. Pouco depois, ela recebeu um telefonema, em seu celular, do amante e marcou um encontro com ele. A polícia foi para o local e o prendeu. Na delegacia, R.A.S. negou ter tido participação no crime, apesar de ter confessado ser amante da mulher há seis anos.

Prisão

Maria de Lourdes e R.A.S. foram autuados em flagrante por homicídio qualificado, motivo torpe e fútil. O flagrante foi feito pelo delegado assistente do 2.º Distrito Policial, Eron Veríssimo Gimenez. A mulher foi encaminhada para o presídio de Cabrália Paulista e R.A.S. para a Cadeia Pública de Bauru.

O crime de homicídio qualificado é tido como hediondo e a pena varia de 12 a 30 anos de reclusão, sem direito a alguns benefícios. Os celulares de Maria Ivone e de R.A.S. foram apreendidos e encaminhados para a perícia.

A polícia quer saber o conteúdo da mensagem enviada por ela ao amante após o crime. A conversa poderá servir como prova do envolvimento dele no caso.

Ciúme

Maria Ivone contou, antes de ser autuada em flagrante, que seu amante, R.A.S., era muito ciumento. “Desde que começamos a ter esse relacionamento amoroso, há seis anos, ele pedia para eu matar meu marido. Ele queria que eu tivesse relações sexuais só com ele”, afirma.

A mulher lembra que encontrava o amante todas as quintas-feiras, das 7h às 10h, em um motel. “Eu falava que ia a uma reunião, mas era mentira. Eu ia me encontrar com ele”, conta.

R.A.S. é casado e tem cinco filhos, segundo Maria Ivone. “Ele era casado e driblava a mulher para se encontrar comigo. Na quarta-feira ele me ligou e nos encontramos à tarde. Novamente ele me pediu para matar meu marido”, sustenta.

Maria Ivone lembra que disse ao amante que precisaria de um motivo para o crime. “Eu falei para ele que não ia matar porque não estava nervosa. Para fazer essas coisas tem que estar nervosa”, tenta explicar.

Discussão precedeu o crime

O crime começou com uma discussão entre Maria Ivone e Sidney. “Cheguei em casa com fome e fui fritar bacon para comer com pão. Meu marido chegou “chumbado” (embriagado) e foi fazendo grosseria comigo. Pegou a frigideira e tentou atirá-la em mim. Eu segurei e a gordura caiu no chão. Ele escorregou e eu me defendi”, conta.

A gordura queimou o braço direito da mulher. “Ele me queimou e parou com a discussão. Mais tarde ele saiu e foi beber mais. Chegou batendo a porta da casa e da geladeira, me ofendeu e então eu coloquei na cabeça que iria matá-lo, conforme o R.A.S. tinha me falado”, conta.

Sidney dormiu a noite toda, segundo Maria Ivone. “Ele dormiu e roncou. Eu fiquei martelando o que ia fazer para acabar com ele. Não dormi a noite toda, peguei a faca três vezes”, conta.

Por volta das 5h, ele levantou-se para urinar. “Eu falei para ele recolher o cachorro e fechar a porta. A faca estava em cima da geladeira e eu já não me conti-nha. Senti vontade de matá-lo e peguei a faca e enfiei nas costas dele”, confessa.

O barulho assustou as filhas, que dormiam no quarto ao lado. “Elas levantaram-se e uma delas veio saber o que estava acontecendo, Foi quando eu peguei a tábua de carne e atirei nela. Elas saíram para a rua e eu continuei a briga com ele”, conta.

O casal ficou lutando pela posse da faca. “Ficamos lutando. Eu desferi vários golpes contra ele. Não sei se dei duas ou três facadas nele. Só parei quando ele disse que tudo tinha acabado e caiu na sala, todo ensangüentado”, relata.

Depois de ver o marido caído na sala, a mulher fugiu pelos fundos da casa e foi para a Vila São Paulo, onde pretendia encontrar o amante. “Passei mensagens para o celular dele. Ele não respondeu. Liguei e foi a filha dele quem atendeu. Quando ele retornou a ligação, eu já tinha me comunicado com a polícia. Marquei o encontro e a polícia o prendeu”, diz.

Apesar de ter sido presa, Maria de Ivone diz que não se arrependeu do que fez. “Eu não me arrependo do que fiz. Só penso nas minhas filhas, mas eu apanhava do meu marido desde os 19 anos. O R.A.S. é meu novo amor, minha paixão. Ele me adorava. Acho que agora vai me odiar, porém estou nessa por causa dele”, diz.

A mulher acredita que a Justiça irá resolver a questão. “A Justiça vai resolver. Já está resolvendo. Eu matei meu marido e mataria de novo se ele estivesse vivo”, conclui.