Pelo menos quatro cirurgias foram canceladas nos últimos dias em Bauru por falta de sangue. As doações vinham sendo suficientes para atender a demanda da cidade e região, mas o estoque praticamente zerou com a mudança do hemonúcleo, que deste o início deste mês funciona em prédio próprio, ao lado do Hospital de Base (HB) - antes atendia ao lado do Bauru Shopping.
Telma Cristina de Freitas, diretora do Hemonúcleo de Bauru, explica que faltou sangue porque o órgão deixou de fazer coletas por dois dias devido à mudança e parte dos doadores ainda não sabe do novo endereço. “O sangue que tínhamos no estoque não foi suficiente para suprir a demanda dos dois dias paradosâ€, diz.
O número de doadores não chegou a diminuir, mas também não cresceu, como esperava a direção do hemonúcleo. “A nossa expectativa era e ainda é dobrar as doações porque agora estamos em um prédio amplo, com dez máquinas de coleta e sala de espera, além de ser melhor localizado por estar mais próximo do centroâ€, diz.
Porém, por enquanto, as geladeiras do hemonúcelo continuam quase vazias. “O sangue coletado pela manhã é processado à tarde e começa a ser gasto em seguida. Não sobra para reserva. Os hospitais que nós abastecemos já tiveram que cancelar cirurgias eletivas. Por isso queremos informar aos doadores cativos e também a quem nunca doou que estamos em novo prédio, com melhor estrutura para atendê-los, e pedir a colaboraçãoâ€, afirma.
Maria Gilda Lima da Silva sabe bem a diferença que algumas bolsas de sangue fazem. “A cirurgia do meu sogro foi cancelada duas vezes neste mês. Ele estava com um tumor na próstata e era emergência, mas não tinha sangue. Precisamos trazer 16 pessoas da nossa cidade, Jacarezinho, para fazer doações e só depois ele pode ser operadoâ€, relata.
Numa situação de normalidade de estoques, ressalta Telma, o paciente é operado e depois a família repõe o sangue gasto. Gilda conta que seu sogro já está recuperando-se da cirurgia, mas não esquece da importância do sangue. “Acho que as pessoas deveriam doar mais. É uma atitude que não custa nada, não causa nenhum mal à saúde e pode salvar vidasâ€, completa.
Serviço
O Hemonúcleo de Bauru fica ao lado do Hospital de Base, com entrada pela rua Monsenhor Claro. As doações podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 11h.
Coletas poderão dobrar
Se a população colaborar, a quantidade de sangue coletada pelo hemonúcleo poderá dobrar nos próximos meses, segundo Telma Cristina de Freitas, diretora do órgão. “Atualmente, coletamos de 40 a 50 bolsas por dia, quantidade insuficiente para abastecer todo os hospitais de Bauru e região com tranquilidadeâ€, diz.
Mas nas novas e amplas instalações, com dez máquinas coletoras - eram cinco no antigo prédio - é possível aumentar. “Vamos contratar mais funcionários, para fazer a coleta também à tarde. O ideal seria termos 100 doadores por diaâ€, ressalta.
A construção do novo prédio e os equipamentos custaram R$ 1,5 milhão. O maior parte do valor, R$ 1,3 milhão, veio do programa de Reorganização do Sistema Único de Saúde (Reforsus). O restante foi investido pelo governo estadual.
O novo hemonúcleo conta com consultórios médicos, salas de coleta e de triagem, de transfusão infantil e adulto, laboratórios de soroloria, de hematologia e imunohematologia. Telma frisa que o doador agora fica melhor acomodado enquanto espera e doa o sangue.
Ela conta que são necessários cerca de 40 minutos para fazer a triagem e a doação. O hemonúcleo serve suco e lanche para os doadores, que podem ainda ter acesso aos resultados dos exames de seu sangue. Em média, de 10% a 15% de todo material coletado não segue para doação por causa de hepatite e doenças sexualmente transmissíveis, entre outras.