Logicamente, o falecimento de parentes e amigos lança no espírito dos que ficam ou vão ficando, não se adivinhando até quando, uma aura de tristeza e desolação, a que normalmente se tenta contornar através de lágrimas, unicamente lágrimas, e da saudade que logo começa a despontar. Quantas? Muitas, geralmente bastantes, porque ninguém consegue aceitar o trauma por não conceberem seja a morte o fim de uma vida ou o recomeço dela, assim como num segundo turno...
Diz a história que no Egito Antigo “os defuntos eram embalsamados e cuidadosamente munidos de jóias, armas, alimentos e outras utilidadesâ€, na suposição de que os corpos ganhassem outra vida onde quer que fossem e, então, viriam a precisar de fazer uso de tudo quanto utilizavam aqui, sua primeira morada. Isto, lá nas terras distantes e em épocas longínquas. E os demais povos, como é que acolhiam a morte e como se despediriam dos seus queridos defuntos? Simplesmente os acomodavam em suas urnas mortuárias, talvez até sem flores e velas e, pronto, não os contemplando com absolutamente nada, além da tristeza de seus corações? É o que os contemporâneos de hoje indagam, acreditando no fim puro e simples da existência humana porque são testemunhas dos falecimentos e dos sepultamentos e não crêem na ressurreição de ninguém, pois vivem cônscios e conscientes, através da fé, de que somente Jesus teve o imensurável “privilégioâ€. Tanto não crêem que têm até medo do trespasse, porquanto não o entendem como uma possível linha direta condutora invariável de um novo modo de ser e de viver.
O filósofo grego, Sócrates, dá a sua opinião, insinuando que “a vida é uma busca permanente da verdade, com uma impaciência crescente de conhecer a verdadeira natureza das coisas, enquanto a morte abre a porta do saber absolutoâ€. Acrescenta que se a morte oferece essas oportunidades não há por que temê-la. E vai além: “Se virem uma pessoa deprimida pela perspectiva da morte, saibam que isso é prova evidente de que tal pessoa ama não a sabedoria e sim o seu corpo. Na verdade, suponho que essa pessoa esteja enamorada das riquezas materiais e da reputação socialâ€, o que acontece - afirmam outros - porque “com o desenvolvimento tecnológico e a multiplicação das formas de desfrutar a existência o homem se apegou mais à vida, passando a temer mais a morteâ€. Sim, provavelmente, arriscamos nós outros, é isso que ocorre e leva os que ficam a apenas chorar a saudade eterna daqueles que se vão e dos quais não mais terão companhia para o prosseguimento da jornada por todo o tempo que lhes resta, como até então o faziam de mãos entrelaçadas e abraços apertados no lar, na rua, no lazer e no trabalho. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)