Eu também vi o avião entrar de frente no prédio símbolo da economia capitalista. Eu também acho que as pessoas que morreram não tinham nada a ver com o caso. Mas há uma ou duas perguntas que me intrigam sobre o ataque dos terroristas sobre os Estados Unidos, em 11 de Setembro de 2001: e os moradores de Bagdá? E os Iugoslavos? E os vietnamitas? E 1 milhão de tutsis massacrados pelos hutus no centro da África? Por que a troca da guarda inglesa não toca os hinos desses países? Não são pessoas, como os americanos que morreram? Não perderam braços? As mães não perderam filhos? Os sérvios também não choram pelos seus parentes?
Talvez você não perceba, mas a noção de realidade que você tem está alterada pelo excesso de imagens simulacrais, ou seja, pela tv, cinema, revistas, jornais, internet e fotografias. Perca a noção mitológica de que os Estados Unidos são o bem, e todos os seus inimigos são o mal. Isto é mentira cinematográfica. É o mesmo que acreditar em novelas e “periferias felizesâ€. Tudo bem! Os Yankes podem ser nossos parceiros, nossos credores, nossos déspotas esclarecidos. Os americanos são ótimos! Mas temos que encarar a verdade trágica e horrível: pela primeira vez eles se se deram mau! Pô! Por que não? Por que eles não podem sofrer? Todo o mundo, uma hora, se dá mau! Em 1945, Hiroshima e Nagasaki foram bombardeadas com uma bomba atômica que ainda tinha uma charge pintada. Os vietnamitas também, sofreram mais que os americanos. Fora dos filmes, é lógico!
Então eu pergunto: pra que o luto? Ah! Três mil pessoa morreram! Tudo bem, ou melhor, tudo mal. Mas será que ninguém lembra, cinco anos atrás, 1 milhão de tutsis mortos com facões no centro da África? Será que ninguém tomou consciência de que as bombas que a OTAN “errava†na Iugoslávia eram propositais, para acertar civis, e assim minar as forças do povo e o apoio ao presidente Milosevic? Acreditaremos para sempre, como nos filmes do Vietnã, que os Estados Unidos representam o bem, e qualquer inimigo representa o mal? Isto é mitologia!
Concordo que tudo o que ocorreu em Nova York e Washington foi horrível! Deplorável! Mas o Datena, apresentador da Record, disse que foi um ato de covardia. Covardia? Um cara que pega um Boeing e se joga contra um prédio, com a certeza da morte? Pode ser tudo, menos covardia! Ilusão, engano, utopia, sonho, fanatismo, loucura...., tudo, menos covardia! (Luís Paulo C. Domingues - RG 17115765)