08 de julho de 2026
Saúde

Cirurgias plásticas modelam gengiva

Saúde Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Sabrina Magalhães

A estética odontológica também pode ser comprometida por problemas na gengiva. Os mais comuns são os deslocamentos, a malformação e as inflamações destes tecidos, cuja função principal é revestir o osso da mandíbula e maxila, protegendo o terço cervical (raiz) dos dentes.

O cirurgião-dentista Jonas Rosa Cardoso afirma que o aspecto normal da gengiva é um tecido cor-de-rosa que não sangra e torna-se bem fininho no encontro com os dentes. Tem uma textura seca e a forma de arcos, com pontos de contato de um a outro dente.

Um dos problemas que podem acometer a gengiva é o deslocamento horizontal ou vertical do tecido. O deslocamento horizontal chama-se retração e ocorre quando a gengiva “descola” dos dentes. Na maioria das vezes, isso ocorre pelo acúmulo de placa bacteriana. Já o deslocamento vertical (recessão) é quando a gengiva “sobe” ou “desce”, deixando parte da raiz descoberta.

Outro problema que pode ocorrer é a malformação. Algumas vezes, falta gengiva. Em outras, o tecido gengival cresce além do normal e recobre a coroa dos dentes. E ainda há pessoas nas quais os arcos não se formam adequadamente e dão um aspecto estranho à dentição.

“Nestes casos, podemos fazer uma cirurgia plástica gengival. Corrigimos os deslocamentos e a falta de tecido com enxertos; acertamos o contorno do dente, os arcos, com gengivoplastia; e retiramos o excesso de gengiva com a gengivectomia”, esclarece Cardoso.

Inflamações

Além de deixar os dentes sensíveis e doloridos, os problemas nas gengivas contribuem para a colonização de bactérias, com conseqüentes inflamações (periodontites).

De acordo com o ortodontista José Fernando Castanha Henriques, uma boca saudável abriga bilhões de bactérias. Estimam-se 2 bilhões delas em cada 30 gotas de saliva. Quando existem cáries, placas bacterianas ou inflamações na gengiva, esse número sofre um aumento muito grande.

“E você está deglutindo, engolindo estas bactérias, o tempo todo. Esses germes podem cair na corrente sangüínea e causar outras doenças, como a endocardite (quando se alojam nas válvulas do coração) e a febre reumática (articulações)”, afirma.

Por isso, tratar as gengivas é tão importante quanto tratar qualquer outro problema de saúde, segundo Henriques. Ele salienta que, felizmente, a estética só é obtida quando todos os problemas são sanados, ou seja, para deixar o sorriso bonito, o profissional tem que resolver tudo o que está inadequado. Desta forma, ao terminar o tratamento, o paciente tem a estética aliada à saúde.

Henriques e Cardoso salientam que é por isso que não existe um departamento ou uma disciplina específicos de estética nos cursos de odontologia. “Porque a estética é uma questão multidisciplinar, que depende da união da periodontia (ramo que trata a gengiva), endodontia (ramo que trata o canal), dentística (restaurações e correções), da prótese, o implante, de todos”, conclui Henriques.