10 de julho de 2026
Política

Coube busca Brasília para inserir a região nos mapas

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Resgatar a representatividade política e recolocar Bauru e região na rota da discussão dos grandes temas nacionais. Essa é a missão a que se propõe o empresário Caio Coube, candidato à Câmara dos Deputados pelo PSDB.

Desde 1998, o município e as cidades que gravitam em seu entorno estão sem deputados em Brasília, embora o colégio eleitoral de mais de 200 mil votos permita a indicação democrática de pelo menos dois parlamentares federais.

Para Coube, a força econômica aliada à posição estratégica da região não permitem que ela fique fora do mapa político da Capital Federal.

“Quero ser um elo de ligação entre a região e o governo federal, defendendo seus interesses e lutando pelas causas”, diz.

O candidato avalia que Bauru e seu centro de influência não podem ficar distantes das discussões dos temas nacionais.

â€œÉ importante que nós sejamos ouvidos em Brasília através de sugestões e propostas. Isso é um consenso entre todas as correntes de pensamentos. Precisamos recuperar essa defasagem”, afirma.

O tucano analisa que na eleição de 1998 houve uma dispersão de votos. “No meu modo de ver, as candidaturas locais não conseguiram entusiasmar os eleitores.”

Para o empresário, o grande desafio desta eleição é fazer com que os eleitores se entusiasmem e se empolguem com as candidaturas de Bauru. “Elas precisam representar uma perspectiva de atuação, de trabalho. Nesse sentido, acho que a dispersão de votos nesta eleição será menor”, prevê.

Restrição

Empresário, sócio de uma empresa com relações comerciais internacionais, Coube vê com restrições a discussão ideologizada sobre a adesão do Brasil à Aréa de Livre Comércio das Américas (Alca).

“Acho que há uma exploração eleitoral do tema. Talvez até oportunista. Há um componente de inferioridade, de nós brasileiros, em relação a essa tese da Alca”, opina.

Ele acha exagerada a avaliação de que o País vai “escancarar o seu mercado” para os Estados Unidos e o Canadá.

“A gente não se dá conta de que esse mercado de mais de 260 milhões de consumidores é uma via de duas mãos. O universo empresarial brasileiro teria também acesso ao mercado mais cobiçado do mundo”, pondera.

Para o candidato, a discussão terá de ser aprofundada. Coube entende que o Brasil demonstra ser competitivo em inúmeros segmentos da economia.

“Na segmentação de papel e celulose, aço, calçados, vestuário, móveis, aviões da Embraer. O que precisa é a diplomacia comercial brasileira negociar bem os acordos, de tal sorte que não hajam proteções tarifárias que impeçam o comércio”, afirma.

O tucano destaca, porém, que o País terá que, obrigatoriamente, fazer reformas estruturais. “Vamos ter que discutir o custo Brasil. As reformas tributária, da legislação trabalhista, previdenciária vão ter que ser levadas à frente. Vamos ter que nos credenciar para um processo natural. Não podemos ficar à margem dele.”

“Tese clara”

Por mais de uma vez, o nome de Caio Coube foi citado e lembrado para eventuais disputas da Prefeitura de Bauru. Questionado sobre se pretende encarar uma disputa a prefeito em 2004, mesmo eleito à Câmara dos Deputados, o empresário acha inoportuna a discussão do assunto.

“Tudo é uma questão de momento, de conjuntura política. Em 1992, o Tidei (Tidei de Lima, ex-prefeito) estava cumprindo seu mandato de deputado federal, candidatou-se ao cargo de prefeito e venceu. As forças políticas da cidade entenderam que aquele era o momento dele contribuir com a sociedade.”

O empresário lembra que a indicação e a eleição de Tidei ocorreram de maneira tranqüila e natural. Coube coloca-se nessa situação. “Se eu conseguir me eleger, naturalmente eu me torno, pela conjuntura, um dos prefeitáveis. E pode ser que haja análises, conjecturas de que a cidade precise de alguém empreendedor, empresarial. Isso poderá acontecer”, prevê.

Mas o tucano acredita que também deve ser levada em consideração uma decisão de foro íntimo. “Pode ser que, se eleito, eu tenha me adaptado muito bem na função parlmentar. Em última análise, você tem que trabalhar pela comunidade. Não podemos ficar prisioneiro de uma tese muito estreita, míope.”