10 de julho de 2026
Política

Quércia aposta no currículo para vencer eleição ao Senado

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O ex-senador e ex-governador do Estado de São Paulo Orestes Quércia (PMDB) quer voltar ao Congresso Nacional como representante dos paulistas apostando em sua carreira política. Disputando diretamente uma das duas vagas paulistas ao Senado com Aloizio Mercadante (PT) e Romeu Tuma (PFL), Quércia prefere classificar seus adversários de concorrentes e vê em sua “folha de serviços prestados” o diferencial na eleição.

A tarefa não será fácil. Quércia disputa a segunda vaga, neste momento, diretamente com Mercadante, enquanto que Tuma permanece em primeiro. “São dois bons colegas, não tenho motivos para atacá-los. Mas eu acredito que o Tuma não fez tudo que podia fazer como senador e o Mercadante vai bem quando o assunto é economia, tanto que vai ser ministro do Lula na Presidência da República”, dissimula.

Quércia aposta que a decisão dos eleitores se dará nos últimos sete dias de campanha. “Até as pesquisas e os cientistas políticos dizem que a decisão do eleitor se dá nos últimos sete dias. As pessoas assistem ao programa de televisão e só na última semana resolvem em quem vai votar. Este é o momento decisivo e por isso nós estamos intensificando o trabalho de corpo-a-corpo nas cidades paulistas”, cita.

Ontem, Quércia realizou um comício em Bauru, por volta das 21h, na avenida Nações Unidas, em frente ao Teatro Municipal, para um público de cerca de 1.000 pessoas. “Estamos intensificando essa aproximação com o eleitor e reforçando que fizemos um bom trabalho no governo do Estado na área de segurança e transporte, saúde e crescimento do Interior. Como candidato ao Senado, imagino fazer um esforço em favor de São Paulo”, aponta.

Outro fator na eleição ao Senado é motivo de análise pelo candidato: a exposição maior da disputa pela presidência da República na imprensa e entre a população. “Acredito que até a eleição para governador está em segundo plano nesta eleição. O que temos é a televisão no programa eleitoral gratuito para explorar. Porque a televisão ainda tem muita força de divulgação e é nossa melhor oportunidade para aparecer. Veja que são poucos até os debates entre candidatos a senador”, comenta.

O peemedebista reforça as críticas ao atual modelo econômico. “O País parou de crescer com o Fernando Henrique. Quando ele assumiu, há oito anos, éramos a oitava maior economia do mundo e hoje passamos para a décima primeira. O Brasil sempre cresceu, em média, 8% ao ano e neste ano vai crescer 1%. É muito pouco para nós abrirmos novos empregos, para o país desenvolver. São Paulo também não vai indo muito bem”, conta.

De posse desse discurso, Quércia se coloca como representante dos paulistas no Senado. “Nosso empenho é para colocar São Paulo em seu lugar no Senado, com esforço para ajudar o Estado a voltar a crescer, se desenvolver como antes. Minha proposta é uma ação política junto ao governo federal para defender São Paulo. Em Brasília é que se decide as políticas, a aplicação dos recursos. Quero ajudar São Paulo no Senado, apoiar a agricultura, gerar empregos, ajudar na área de segurança pública”, acrescenta.

Bairrismo

Orestes Quércia vê a existência de bairrismo dos estados mais pobres na discussão pela divisão de recursos junto ao governo federal. “Eles não querem mais ajudar São Paulo porque falam que o Estado é rico. Mas o Estado tem que receber o equivalente à sua contribuição para o país e é natural que algumas regiões sejam mais desenvolvidas. Devemos combater as desigualdades sociais mais sem bairrismo e existe por parte dos tecnocratas sem pátria que mandam no Brasil um processo de comando para atingir São Paulo”, diz.

O ex-governador acha que todos os candidatos têm obrigação de discutir segurança pública hoje no País. â€œÉ um tema que não pode sair da pauta do País. É preocupante. Os candidatos fazem propostas que parecem marketing neste momento, mas a segurança é um tema que precisa ser debatido e com responsabilidade. Não é colocar a Rota na rua que resolve. É preciso discutir o investimento no sistema como um todo, definir um programa”, aborda.

Quércia defende um mutirão nacional na matéria de segurança. “Hoje 85% dos crimes são cometidos por reincidentes. Há muita impunidade. Há carência de corpo jurídico, falta cadeia. Eu vou propor a construção de presídios em áreas como a Amazônia e Mato Grosso para crimes, mesmo com sentenças estaduais, como seqüestro, tráfico de drogas ou armas e crime organizado, para presídios federais em regiões desabitadas”, defende.