O advogado Carlos Sandrin, candidato à Câmara dos Deputados pelo PT do B, é fã da máxima “se correr o bicho pega, se ficar o bicho comeâ€. Polêmico em suas idéias, ele defende o confinamento dos marginais na selva amazônica.
“Se tentarem fugir, vão encontrar as onças pelo caminhoâ€, conclui, com um leve sorriso sarcástico, sem precisar dizer que ‘os infelizes’ vão servir de banquete para o ferozes felinos, conhecidos pela beleza de suas manchas pintadas.
O projeto do advogado chama-se “Cidade dos Marginaisâ€. Mas para ganhar a passagem até o fatídico lugar rodeado de onças pintadas é necessário que o criminoso tenha, no mínimo, 12 anos de condenação.
“O local não é para qualquer um. Nessa cidade, o marginal ficará livre; vai trabalhar como um homem comum, cada um na sua profissão. Vai ter de tudo, inclusive zona agrícola para aqueles que não têm profissãoâ€, conta.
Sandrin diz que a idéia não é maltratar os marginais. “Eles vão ter toda a atenção do Estadoâ€, garante, em tom de quem vai conseguir viabilizar seu projeto, se for eleito à Câmara dos Deputados.
Ele acha que dessa forma a criminalidade vai cair nos grandes e médios centros urbanos do País. “E se tiverem que se matar, vão se matar entre eles. Não vão tirar a vida de um inocente trabalhador. Essa é uma maneira de expurgar os marginais. Tenho fé que esse é o caminhoâ€, defende.
Defensor dos bons costumes, o advogado é autor de pequenos livretos, dentre os quais “Manual da menina moça†e “Zé maconheiroâ€, que distribui com gosto a seus interlocutores e amigos. São rápidas lições de boas maneiras e bons comportamentos, com pitadas de filosofia conservadora.
Modéstia
O candidato disputa há anos vários cargos públicos sem conseguir se eleger. “Acho que quem perde com isso é a populaçãoâ€, avalia, sem qualquer constrangimento estampado no rosto.
Ele avisa que não vai desistir de concorrer a mandatos eletivos. “Isso está no sangue. Sou empurrado para isso. O próprio presidente do partido indicou-me para o cargo. Ando por aí e as pessoas costumam gritar: ‘Sandrin, nosso futuro prefeito’. Isso incentiva a gente. E eu não me preocupo com vitóriaâ€, argumenta.
Calejado pela idade, o advogado relata suas experiências e seus conhecimentos geográficos do País e do mundo.
“Conheço as 25 capitais brasileiras, mais de 15 cidades do exterior, entre elas Jerusalém, Paris e Londres, onde recebi um diploma de direito de família da melhor faculdade do mundoâ€, destaca.
Sandrin não se preocupa com a modéstia quando o assunto são seus adversários à Câmara dos Deputados. “Se reunirem o conhecimento de todos os candidatos, não somam os meus. Tanto pela idade como pela experiênciaâ€, garante, sem, no entanto, dizer qual é a sua idade.
Na avaliação dele, os integrantes da classe política levam o País para um clima de revolução e de terrorismo. “Eu me preocupo muito com o jovem de hoje. Provavelmente eles vão pegar em armas. E vão morrer, como aconteceu em 1932, na Revolução Constitucionalistaâ€, lembra.
Fã do ex-governador e ex-presidente Jânio Quadros, Sandrin tem saudades da época em que o dinheiro público, segundo conta, era tratado com mais lisura.
“O Jânio instituiu 3,3% de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS, e asfaltou todas as rodovias de terra deixadas por Adhemar de Barros, seu antecessor. Hoje, com 18% de ICMS não fazem nada e ainda cobram pedágioâ€, critica.
Velho Xico
A polêmica sobre a transposição das águas do rio São Francisco para a região árida do Nordeste conta com o apoio do advogado. O projeto é criticado por ambientalistas, que acreditam que a iniciativa poderá ser o tiro de misericórdia no velho Xico.
Sandrin conta que o Estado de Sergipe conseguiu mudar a paisagem seca e torrada de uma grande área, hoje produtora de frutas, como o maracujá.
“Em 1983, escrevi uma carta ao Jornal da Cidade intitulada ‘Sonho de nordestino’. Já naquela época eu apoiava o projeto de transposição, embora ele não tenha sido viabilizado até hoje. Mas o Sergipe conseguiu irrigar uma vasta região com canais e diminuir a miséria. Quando se quer, é possívelâ€, prega.
Ele relata que esse projeto foi viabilizado graças a experiências com japoneses. “Me sinto feliz em também ter contribuído para a melhora da qualidade de vida dos nordestinos. Falo isso porque enviei a minha carta ao governador do Sergipe da épocaâ€, lembra.