09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O homem e a religião


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As discussões alardeadas sobre a religião vêm causando debates nesta tribuna, mas convém comentar que a religião nunca serviu para unir os povos, mas para causar violências inenarráveis. Vivemos uma sociedade de costumes e tradições cristãs, há várias outras permeando o mundo e cada uma com a sua filosofia, mas poucas com tantas influências políticas, econômicas e sociais. É preciso tirar do diabo a culpa do errado, do pecado, ele não coloca o desejo no coração do homem, mas o desejo nasce com o homem. O diabo é uma criatura que se existiu não passou de ilusão, e criação para tratar como se fossem fantoches os “fiéis depositários” que procuram um limite para a vida, e aprendem a separar erroneamente o hipotético céu do inferno.

Avistamos em Gênesis o início da vida humana, mas dispensam a evolução natural das espécies e descobertas recentes de esqueletos parecidos com o homem datados de 3,5 milhões de anos, sendo que a Bíblia relata que a terra teria 10 mil anos, mas segundo cálculos científicos o planeta terra teria 5 bilhões de anos. Ainda acredito que Charles Darwin, ao formular as teorias da evolução da espécie, seja mais categórico e confiável; há de convir no que muito tem se falado sobre o passado, tornou-se mito, lenda. E as obras divinas são sombras quando a ciência explica que o sol não é um deus.

A Inquisição na Idade Média assassinou muitos homens e mulheres considerados bruxos, hereges, mas que estavam anos-luz ao seu tempo; hoje, naturalmente, há vários estudos sobre a era cristã e assuntos sobre religiosidade, superstição e divindade e não são impedidos como foram na época. Está na filosofia e na antropologia contestações e descobertas que afligem as autoridades religiosas, relatos desses especialistas possam ser claros e objetivos mas não estamos preparados para ouvir outra história.

Absurdamente entramos em conflitos insanos, se o deus de uns é maior que de outros, se os demônios podem nos possuir, se pecamos, se existe inferno, se vamos viver eternamente. Às vezes penso que Deus sem o homem é um perigo. Mas Deus é um só, é nosso amor, respeito, e nossa dedicação e esperança todos os dias.

A fé não pode estar sobre uma imagem, sobre a água da fonte, de um terço, num pedaço de madeira, como não pode ser tratada para retirar dos homens seus bens materiais como forma de pagamento a um pedaço no céu, ao perdão de seus pecados; enfim pecamos, acredito que o pecado é a busca pelo prazer, é por isso que não pecamos. Se não sentíssemos prazer seríamos como todos os vegetais. Mas não condenemos o uso que as pessoas dispensam para a sua fé, se traz conforto, paz e sabedoria, não impeçam de orar pelo seu santo, pelo seu Deus. E cada povo deve ter seus costumes, tradições e cultura respeitados para evitar as guerras, as atrocidades.

Em qualquer esquina abre-se uma porta e se propaga as palavras de Cristo, temos mercados para vender a fé, o marketing é vantajoso e de lucro como poucas empresas. Mas e o respeito ao homem, torná-lo humilde, baixo, ignorante, covarde, com sentimentos de autodesprezo, em poucas palavras todas as qualidades da canalhice. Esse é o papel da religião. Se tivesse o homem autoconfiança em si mesmo, orgulho, poderia curar a sua doença pela medicina do corpo, resolver calmamente seus problemas, se acreditasse que com trabalho, planejamento de seus atos e fazendo com respeito as obrigações, nada poderia ocorrer de errado, e não necessitasse intercessão divina.

Jesus Cristo pode ter sido um homem como outro qualquer, mas que tinha um dom de transformar as palavras em sabedoria, mas não transformá-la em estrela, igreja, dízimo, em falsos valores éticos; o homem não faz milagres, curas, não multiplica pães e peixes em um estalo de mágica, a nossa realidade é mais crua, absurda. E só os próprios homens podem consertar seus erros. Jesus que por suas palavras, até hoje molda a história da humanidade, apesar de que muitos especialistas dizem que os testemunhos que os quatro apóstolos escreveram não podem ser verídicos, já que relataram os fatos após 40 a 100 anos da morte de Cristo.

Mas Jesus, na forma homem, sábio e pregador, merece o nosso respeito. O homem é escravo das palavras, o quanto mais exercita em informação e sabedoria, mais ampla é a sua visão sobre os problemas do homem e o que fazer para modificá-los, mas não podemos modificar o amor ou o ódio no coração das pessoas, e não serão palavras que irão mudá-las.

Mas se posso desconfiar que a divindade está longe do homem, como o homem está longe de Deus e mais perto de conhecer a si mesmo para vencer os obstáculos da vida. (Alberto Augusto - RG: 30.318.462-0)