10 de julho de 2026
Geral

Associação de Alzheimer fabrica fraldas

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O Mal de Alzheimer é uma doença progressiva e sem cura, que leva o paciente a perder os neurônios. Para tentar reduzir o sofrimento do doente e de seus parentes, a Associação dos Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer (Afada), que há anos mantém grupos de auto-ajuda e oferece palestras aos cuidadores, agora vai fabricar fraldas.

A proposta é vender fraldas geriátricas a preço de custo, para amenizar o impacto econômico que a doença causa a qualquer orçamento, explica Ester Junqueira, presidente da Afada. Com a progressão da doença, o paciente precisa usar fraldas porque não controla as necessidades fisiológicas.

A entidade, conta Ester, ganhou a máquina para a fabricação de fraldas do Rotary e pretende colocá-la em funcionamento em breve. “Já alugamos um galpão, na quadra 10 da rua Presidente Kennedy, onde vamos fabricar as fraldas, mas ainda falta a matéria-prima, que é cara. O Rotary vai fazer um desfile de modas, no próximo dia 1, na Cervejaria, para comprar o material”, explica.

A máquina tem capacidade para produzir 2.000 fraldas geriátricas por dia. Porém, frisa Ester, como a entidade trabalha apenas com voluntários e por enquanto eles não têm prática no serviço, não há estimativa da produção diária para o início do funcionamento da máquina.

As fraldas serão vendidas a preço de custo a associados da Afada e a membros de outras entidades de Bauru. Osvaldo Malini, que integra a direção da Afada e cuida da esposa que tem a doença há 11 anos, estima que um paciente de Alzheimer necessita de quatro a cinco fraldas por dia.

O valor de uma fralda geriátrica varia de R$ 0,90 a R$ 1,60, de acordo com a qualidade, explica Malini. “Em média, um paciente de Alzheimer gasta entre R$ 5,00 e R$ 6,00 por dia só em fraldas. É um custo alto para a família e que poderá ser reduzido até pela metade quando a máquina de fraldas da associação começar a funcionar”, anima-se.

Malini frisa que como a doença não tem cura é preciso buscar qualidade de vida tanto para o doente quanto para seus parentes e cuidadores. “Já que não tem cura a associação trabalha para oferecer apoio psicológico e tentar amenizar a questão econômica”, frisa.

Neste sentido, a Afada também está tentando viabilizar um plano de saúde aos associados, adianta Malini. Outra luta da entidade é para que o Sistema Único de Saúde (SUS) ofereça todos os remédios aos pacientes.

Com a esposa já na fase avançada da doença, ele conta que gasta cerca de R$ 700,00 por mês entre remédios, fraldas e uma empregada que o ajuda a cuidar da paciente. “A minha mulher está doente há onze anos e numa fase que é dependente para tudo, até para virar-se na cama. Para ela beber água é preciso introduzir uma bisnaga na boca e apertar”, conta.

Serviço

A sede provisória da Associação dos Familiares e Amigos de Alzheimer fica na rua Ezequiel Ramos, 7-32, telefones (14) 222-7365 e 222-6556. A entidade promove reuniões de apoio aos cuidadores todo primeiro sábado do mês e palestras com especialistas da área de saúde todo terceiro sábado do mês.