10 de julho de 2026
Regional

Itapuí faz um inédito censo canino

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Itapuí - Uma parceria entre o Instituto Pasteur, de São Paulo, a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) e a Prefeitura de Itapuí irá possibilitar a realização de um censo inédito na cidade. Desta vez, o objeto pesquisado será a população canina do município. O objetivo dessa iniciativa inédita é ter sob controle a propagação da raiva entre os animais.

O levantamento deve ser feito amanhã por uma equipe de aproximadamente 45 pessoas. Desse total, 37 são alunos voluntários da escola estadual Senador Vicente Prado.

Eles passaram por treinamento durante todo o dia de ontem. Hoje, eles saem à campo para identificar, com coleiras, os cães domiciliados (que ficam presos dentro das residências) e os semidomiciliados (que às vezes saem das casas para dar uma volta na rua, com ou sem os donos).

Para facilitar o trabalho e torná-lo mais organizado, a cidade foi dividida em 13 setores. Desses, apenas um foi sorteado (bairro Pichelli) e servirá como campo de pesquisa, para os idealizadores do senso.

Para garantir dados ainda mais precisos, os bairros mais próximos do setor escolhido também serão visitados pelos pesquisadores.

Depois de identificar os cães domiciliados e semidomiciliados com coleiras de cores diferentes, os alunos serão distribuídos em pontos estratégicos do bairro para acompanhar a movimentação dos animais.

Esse trabalho será feito amanhã e todos os cães que estiverem sem a coleira colorida serão considerados errantes. É exatamente sobre esses animais que os pesquisadores querem manter um controle mais rigoroso.

De acordo com Cézar Thomazi, responsável pela Vigilância Sanitária, em Itapuí, o cão errante anda pela cidade inteira, toma água e come em qualquer lugar e ainda briga com outros cães. Por isso, são mais suscetíveis ao contágio e podem se transformar em potenciais transmissores da raiva.

Uma vez em contato com outros animais ou mesmo com o homem, ele pode espalhar a doença e criar um sério problema para a saúde pública.

De posse de informações mais próximas da realidade, será possível fazer campanhas de vacinação anti-rábicas mais eficazes.

Atualmente, a cidade não tem controle sobre os cães errantes.

O último levantamento feito no município foi em 1999. Mas, naquela ocasião, foram contados apenas cães e gatos com “residência fixa”.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a quantidade recomendada de cães, no meio de uma comunidade, varia de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de cada cidade. Quanto menor o índice, menor é o número de animais aceito.

Segundo Thomazi, o Instituto Pasteur foi o idealizador do recenseamento. A Sucen vai ceder viatura, material e recursos humanos. A prefeitura, por sua vez, vai disponibilizar alimentação e estadia aos pesquisadores.

Itapuí não registra casos de raiva animal desde 1995. Desde então, todas as análises enviadas ao Instituto Pasteur tiveram resultados negativos.