Barbaridade, chê, que como eu são arrancados de suas raizes pampeiras: passou o 20 de setembro e eu nem me dei conta! Talvez porque não vi a desfilar pelas ruas, ao ritmo das patas de seus pingos, a gauchada pilchada altaneira, ponchos ao vento, as bandeiras verde-amarelo-vermelho tremulando orgulhosas pela nossa data máxima. Lá se foi, despercebido, o 20 de setembro. Feriadão em Porto Alegre, a multidão assistindo à parada, muitos de chimarrão em punho, olhando de viés para gente como eu, que até o sotaque perdi, tantos anos de exílio, a xenofobia característica dos pampas me rejeitando porque já não sou mais uma prenda, nem danço mais o Maçarico nas festas do 20 de setembro.
Ah, minha vida gaudéria, sempre de cavalo-à-soga, pronta a seguir para outras terras, cada vez mais longe da minha. Ainda bem que me arranchei em Bauru, onde ouvi dizer que, em algum lugar da cidade, uma indiada aragana está tentando preservar nossa cultura em um CTG autêntico. Eles que me perdoem por ter passado em branco o 20 de setembro. Que aceitem, ainda que tarde, onde estiverem, minhas congratulações gauchescas. (Vânia Figueiredo - Cadeira nº 24 - Academia Bauruense de Letras)