A temporada de vestibulares mal começou e os pais já estão sentindo o quanto esses gastos vão pesar no orçamento. O valor da taxa de inscrição nas universidades aumentou, em média, 12% em relação ao ano passado. Além das inscrições, os pais têm que arcar com despesas de alimentação, transporte e hospedagem.
Um aluno que vai participar de três a quatro processos seletivos em universidades gastará com as inscrições cerca de R$ 400,00, calcula o diretor de um cursinho, Pedro Roberto Ticianeli. A Universidade Estadual Paulista (Unesp), por exemplo, cobra R$ 10,00 pelo manual e R$ 65,00 pela inscrição.
Em Bauru, a Universidade do Sagrado Coração (USC) fixou em R$ 50,00 a taxa de inscrição e a Instituição Toledo de Ensino (ITE), em R$ 35,00. Já as Faculdades Integradas de Bauru (FIB) cobram R$ 20,00 para a inscrição.
De acordo com Ticianeli, os gastos com inscrições, transporte, alimentação e hospedagem geram reclamações por parte dos pais. “Eles gostariam que a seleção não fosse cobrada nas escolas públicasâ€, diz.
Ticianeli lembra que os vestibulandos carentes podem solicitar isenção da taxa de inscrição em algumas universidades públicas, mas ainda não é o suficiente. “Os pais querem que a isenção seja ampliada para que deixem de pagar as taxasâ€.
Ele não acredita que a isenção das taxas seja ampliada e beneficie todos os vestibulandos. “Na maioria das universidades públicas, o dinheiro das inscrições é usado em projetos de aquisição de equipamentos da própria universidadeâ€, conta.
O desgaste psicológico e financeiro afeta toda a família do vestibulando, comenta a diretora de outro cursinho pré-vestibular da cidade, Sônia Mozer. Segundo ela, por questão de segurança os alunos se inscrevem em mais de uma universidade. “Eles se inscrevem, em média, em três processos seletivos.â€
As inscrições têm custos altos, concorda Sônia. “Há pais que se privam do lazer para proporcionar a oportunidade ao filho. É um investimento sem lucro. Os pais investem pela satisfação de ver seus filhos bem encaminhados na vidaâ€, frisa.
A diretora observa que o desgaste financeiro ocorre, também, porque muitos pais acompanham os filhos nas romarias de processos seletivos. “Alguns pais viajam com os filhos para apoiá-los. Isso gera um gasto maiorâ€, diz.
Dose dupla
Mãe de gêmeas vestibulandas, Megumi Honda Kubota não concorda com o preço cobrado pela inscrição. “Eu considero o preço caro. Acho que deveria custar no máximo R$ 40,00. Estaria bem pago. A inscrição para o vestibular da Unicamp custa R$ 75,00 e da USP R$ 55,00â€, lembra.
Ela confessa que a situação financeira da família só não é afetada pela temporada de vestibulares porque uma das filhas trabalha e a outra vai fazer todo o processo de seleção em Bauru. “Eu vendi um celular e com o dinheiro paguei as inscrições dos vestibulares que uma das minhas filhas vai prestarâ€, confessa.
A outra filha de Megumi é independente financeiramente. “Ela é técnica em eletrônica e se sustenta. Elas vão participar de exames em Bauru. Se precisassem sair da cidade, os custos pesariam em nosso orçamentoâ€, afirma, aliviada.
Taxa limita
Na opinião de Regina Costa Astolfi, mãe de uma vestibulanda, a taxa de inscrição do processo seletivo pode até ser exclusiva. “Não deveria ter taxa nas universidades públicas. A cobrança limita o acessoâ€, diz.
A filha dela, Natália Costa Astolfi, solicitou a isenção da taxa na Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Se ela não conseguir a isenção ficará fora da seleção, uma vez que meu marido está desempregado e não pode pagar a inscriçãoâ€, conta.
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Seleção apurada
O economista Wagner Ismanhoto não acredita que os gastos com as inscrições de vestibulares afetem o orçamento doméstico. “As pessoas sabem que vão gastar e já guardam o dinheiro antecipadamente.â€
Ele avalia que os gastos com inscrições não ultrapassam o custo de uma mensalidade. “Ainda que o candidato se inscreva em vários vestibulares, os gastos não ultrapassam a mensalidade de uma escola particular, mesmo que ele desembolse cerca de R$ 400,00. A mensalidade em faculdades privadas é igual ou mais do que issoâ€, diz.
Ismanhoto frisa que em uma pesquisa feita pela Instituição Toledo de Ensino (ITE) foi constatado que 70% dos alunos trabalham e custeiam seus estudos. “Eles trabalham e pagam as mensalidades. O candidato não faz tantos vestibulares. Ele seleciona as universidades que lhes interessamâ€, opina.
Na opinião dele, só os candidatos que têm maior poder aquisitivo inscrevem-se em vários cursos. “Os candidatos da classe média que moram em Bauru vão prestar vestibular na cidade ou na região para evitar os gastos extras.â€
Alguns estudantes do ensino médio defendem a taxa única como solução para o problema. Desta opinião partilha Vinícius Ramalho. “Se a taxa fosse única e desse ao candidato o direito de prestar mais de uma prova, isto é, mais de um vestibular, até seria razoávelâ€, explica.
Para ele, esse procedimento poderia ser adotado pelas universidades estaduais e federais. “Os preços são altos e o custo fica ainda maior quando temos que prestar várias provasâ€, diz.
A estudante Vanessa Adashi acha que as despesas aumentam com os gastos da viagem, estadia e alimentação. “Quando a prova é fora da cidade onde moramos, temos um gasto ainda maiorâ€, pondera.
A estudante Daniele Espinha frisa que o candidato tem despesas com formatura, mensalidade da escola e as inscrições dos vestibulares, o que acarreta um custo muito alto no final do ano. (Luly Zonta)