08 de julho de 2026
Geral

Vestibulares apertam o orçamento

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

A temporada de vestibulares mal começou e os pais já estão sentindo o quanto esses gastos vão pesar no orçamento. O valor da taxa de inscrição nas universidades aumentou, em média, 12% em relação ao ano passado. Além das inscrições, os pais têm que arcar com despesas de alimentação, transporte e hospedagem.

Um aluno que vai participar de três a quatro processos seletivos em universidades gastará com as inscrições cerca de R$ 400,00, calcula o diretor de um cursinho, Pedro Roberto Ticianeli. A Universidade Estadual Paulista (Unesp), por exemplo, cobra R$ 10,00 pelo manual e R$ 65,00 pela inscrição.

Em Bauru, a Universidade do Sagrado Coração (USC) fixou em R$ 50,00 a taxa de inscrição e a Instituição Toledo de Ensino (ITE), em R$ 35,00. Já as Faculdades Integradas de Bauru (FIB) cobram R$ 20,00 para a inscrição.

De acordo com Ticianeli, os gastos com inscrições, transporte, alimentação e hospedagem geram reclamações por parte dos pais. “Eles gostariam que a seleção não fosse cobrada nas escolas públicas”, diz.

Ticianeli lembra que os vestibulandos carentes podem solicitar isenção da taxa de inscrição em algumas universidades públicas, mas ainda não é o suficiente. “Os pais querem que a isenção seja ampliada para que deixem de pagar as taxas”.

Ele não acredita que a isenção das taxas seja ampliada e beneficie todos os vestibulandos. “Na maioria das universidades públicas, o dinheiro das inscrições é usado em projetos de aquisição de equipamentos da própria universidade”, conta.

O desgaste psicológico e financeiro afeta toda a família do vestibulando, comenta a diretora de outro cursinho pré-vestibular da cidade, Sônia Mozer. Segundo ela, por questão de segurança os alunos se inscrevem em mais de uma universidade. “Eles se inscrevem, em média, em três processos seletivos.”

As inscrições têm custos altos, concorda Sônia. “Há pais que se privam do lazer para proporcionar a oportunidade ao filho. É um investimento sem lucro. Os pais investem pela satisfação de ver seus filhos bem encaminhados na vida”, frisa.

A diretora observa que o desgaste financeiro ocorre, também, porque muitos pais acompanham os filhos nas romarias de processos seletivos. “Alguns pais viajam com os filhos para apoiá-los. Isso gera um gasto maior”, diz.

Dose dupla

Mãe de gêmeas vestibulandas, Megumi Honda Kubota não concorda com o preço cobrado pela inscrição. “Eu considero o preço caro. Acho que deveria custar no máximo R$ 40,00. Estaria bem pago. A inscrição para o vestibular da Unicamp custa R$ 75,00 e da USP R$ 55,00”, lembra.

Ela confessa que a situação financeira da família só não é afetada pela temporada de vestibulares porque uma das filhas trabalha e a outra vai fazer todo o processo de seleção em Bauru. “Eu vendi um celular e com o dinheiro paguei as inscrições dos vestibulares que uma das minhas filhas vai prestar”, confessa.

A outra filha de Megumi é independente financeiramente. “Ela é técnica em eletrônica e se sustenta. Elas vão participar de exames em Bauru. Se precisassem sair da cidade, os custos pesariam em nosso orçamento”, afirma, aliviada.

Taxa limita

Na opinião de Regina Costa Astolfi, mãe de uma vestibulanda, a taxa de inscrição do processo seletivo pode até ser exclusiva. “Não deveria ter taxa nas universidades públicas. A cobrança limita o acesso”, diz.

A filha dela, Natália Costa Astolfi, solicitou a isenção da taxa na Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Se ela não conseguir a isenção ficará fora da seleção, uma vez que meu marido está desempregado e não pode pagar a inscrição”, conta.

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Seleção apurada

O economista Wagner Ismanhoto não acredita que os gastos com as inscrições de vestibulares afetem o orçamento doméstico. “As pessoas sabem que vão gastar e já guardam o dinheiro antecipadamente.”

Ele avalia que os gastos com inscrições não ultrapassam o custo de uma mensalidade. “Ainda que o candidato se inscreva em vários vestibulares, os gastos não ultrapassam a mensalidade de uma escola particular, mesmo que ele desembolse cerca de R$ 400,00. A mensalidade em faculdades privadas é igual ou mais do que isso”, diz.

Ismanhoto frisa que em uma pesquisa feita pela Instituição Toledo de Ensino (ITE) foi constatado que 70% dos alunos trabalham e custeiam seus estudos. “Eles trabalham e pagam as mensalidades. O candidato não faz tantos vestibulares. Ele seleciona as universidades que lhes interessam”, opina.

Na opinião dele, só os candidatos que têm maior poder aquisitivo inscrevem-se em vários cursos. “Os candidatos da classe média que moram em Bauru vão prestar vestibular na cidade ou na região para evitar os gastos extras.”

Alguns estudantes do ensino médio defendem a taxa única como solução para o problema. Desta opinião partilha Vinícius Ramalho. “Se a taxa fosse única e desse ao candidato o direito de prestar mais de uma prova, isto é, mais de um vestibular, até seria razoável”, explica.

Para ele, esse procedimento poderia ser adotado pelas universidades estaduais e federais. “Os preços são altos e o custo fica ainda maior quando temos que prestar várias provas”, diz.

A estudante Vanessa Adashi acha que as despesas aumentam com os gastos da viagem, estadia e alimentação. “Quando a prova é fora da cidade onde moramos, temos um gasto ainda maior”, pondera.

A estudante Daniele Espinha frisa que o candidato tem despesas com formatura, mensalidade da escola e as inscrições dos vestibulares, o que acarreta um custo muito alto no final do ano. (Luly Zonta)