10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Região tem saldo de 12 mil empregos

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

A região de Bauru registrou saldo positivo de 12.204 empregos formais no primeiro semestre deste ano, o que siginifica variação de 7% em relação ao número total de trabalhadores no início do ano (janeiro), que era de 174.197. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

No decorrer do primeiro semestre, a Regional Administrativa (RA) de Bauru da Secretaria do Emprego e Relações de Trabalho do Estado de São Paulo (Sert) registrou 49.928 admissões contra 37.724 desligamentos. A RA de Bauru engloba 39 municípios, incluindo cidades de médio porte, como Jaú e Lins.

“O que mais chama a atenção é que houve um crescimento no número de vagas em todo o estado de São Paulo”, declara o diretor técnico da Sert, Alexandre Ciro Perin Bertoni.

Em todo o estado, que contava com cerca de 7,1 milhões de trabalhadores formais no início do ano, o saldo ao final do primeiro semestre é de pouco mais de 284 mil, o equivalente a uma variação positiva de 4%. O crescimento, segundo a Sert, se deve ao setor de agropecuária, que respondeu por 34% dos postos de trabalho criados em São Paulo. O fôlego do setor, no entanto, estaria relacionado ao momento de pico da safra de grãos.

Já a região que registrou melhores índices foi a de Franca: variação de 17,4% a mais. Em janeiro de 2002 eram 103.508 trabalhadores. Ao final de junho, foram registrados 46.543 admitidos contra 28.520 desligados, totalizando saldo de 18.023 novos empregos. De acordo com a Sert, essas novas contratações são provenientes da indústria de transformação - no caso, a fabricação de calçados para exportação - e também do setor agropecuário.

Outros dados apresentados pela Sert, agora com base em números da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), mostram que quase todas as RAs do estado apresentaram crescimento ao final de 2001 em comparação com números de 1995. As exceções ficam por conta das regiões de Santos e Marília.

Pelos números da Rais, Bauru concentrava 185.420 trabalhadores ao final do ano passado, o equivalente a 2,3% de toda a mão-de-obra formal do estado.

Bauru

De acordo com dados da Sert específicos do município de Bauru, a cidade chegou ao final do mês de julho praticamente sem oscilação no nível de emprego. Durante o 1.º semestre deste ano, foram 15.898 admissões ante 15.841 desligamentos.

Por setores de atividade econômica, as áreas que apresentaram variação positiva no número de postos foram a de serviços e comércio: 2,33% e 1,70%, respectivamente. Em números absolutos, o setor de serviços gerou 560 empregos no decorrer do primeiro semestre.

Num segmento que une comércio e serviços, uma farmácia de manipulação de Bauru aumentou seu quadro de funcionários em cerca de 70% nos últimos três anos. Eram em torno de 60, e agora chegam a 100. Segundo o proprietário da empresa, Sílvio Augusto Carazzato, esse aumento se deveu à necessidade de modernizar a produção e melhorar o controle de qualidade.

Carazzato declara que a farmácia precisa contratar, pelo menos, mais 10 pessoas, mas o alto custo de manutenção de um empregado acaba impedindo a criação desses novos postos de trabalho.

“Compro a matéria-prima, transformo-a em um medicamento e vendo. O custo maior dessa transformação é a mão-de-obra, e pago Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a diferença entre o que compro e o que vendo. Então na realidade eu pago 18% de imposto sobre a mão-de-obra”, diz o empresário. E completa: “Nós precisaríamos de mais funcionários, mas seguramos porque já estamos sufocados.”

Negativo

Na outra ponta, o setor de construção civil registrou variação negativa de 6,13% em Bauru. Durante o semestre, foram contratados 3.774 trabalhadores, mas ocorreram 4.805 demissões - saldo de menos 161.

“Os projetos que existiam para ser iniciados acabaram não se concretizando, e algumas obras que deveriam ter começado no início do ano, estão começando só agora”, afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Cláudio da Silva Gomes.

Segundo ele, as obras mais aguardadas para a região são a construção de uma usina termelétrica em Pederneiras e as duas penitenciárias de Reginópolis, sendo que esta última deve gerar 1.000 empregos. “Até o final do ano, temos uma perspectiva de criação de 1.500 postos de trabalho. Estamos no fundo do poço, mas há perspectiva de uma ligeira melhora”, diz Gomes.

Apesar da falta de emprego no setor, o sindicalista comemora a baixa taxa de informalidade na construção civil em Bauru, uma das menores do País, segundo Gomes. Na cidade, os informais somam 20% do total de empregados. No Brasil, esse índice é de 60%.