08 de julho de 2026
Geral

Número de mortes no trânsito dobra

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O número de acidentes com vítima fatal em Bauru neste ano, até ontem, já dobrou em comparação ao registrado no decorrer de 2001. De acordo com dados da 4.ª Cia da Polícia Militar, responsável pela Base de Trânsito na cidade, 26 pessoas morreram vítimas de acidente nas ruas em 2002, enquanto no ano passado este índice foi de 13 mortes.

Só neste mês, os acidentes provocados em vias públicas resultaram em sete mortes. A última foi registrada anteontem, no cruzamento da avenida Nações Unidas com a 1.º de Agosto, quando a colisão entre uma motocicleta e um veículo resultou no óbito do entregador Wagner Miguel Rodrigues, 43 anos.

Se a média de ocorrências fatais de 2002 for mantida, de três ao mês, Bauru poderá ultrapassar seu recorde negativo no próximo mês. A pior marca foi registrada em 2000, quando 29 pessoas morreram na cidade vítimas de acidentes.

Como os números assustam, o comandante da 4ª Cia, capitão Nelson Garcia Filho, informou que a fiscalização de infrações dinâmicas, aquelas flagradas quando o veículo está em movimento, será intensificada.

“Cerca 40% dos acidentes acontecem nestas condições, assim, seremos mais rigorosos com o uso do celular e com displicências referentes ao cinto de segurança e capacete. Também vamos punir motoristas que mudam de faixa de direção e que abusam da velocidade”, garante.

Segundo Garcia, entre as medidas que prevêem severidade aos motoristas imprudentes está a fiscalização sistemática em vias públicas e cruzamentos perigosos da cidade. “Existe um índice de compulsão indicando que quando são lavradas 20 multas nestas regiões o comportamento dos motoristas melhora”, esclarece.

Multas

Como normalmente o condutor demora para conscientizar-se sobre os cuidados no trânsito e se atenta especialmente para as penalidades, que pesam no bolso, as multas surtem o efeito desejado de maneira rápida. Esta é a opinião do comandante da Base de Trânsito em Bauru, tenente Jorge Luís Dias.

Para confirmar sua análise, Dias indica os locais onde foram instalados radares eletrônicos, como é o caso da avenida Nações Unidas. Depois da colocação do equipamento, acidentes graves não foram registrados nas regiões próximas, lembra ele.

“Muitos motoristas entendem o veículo como extensão do próprio corpo e abusam. As máquinas estão suscetíveis a problemas, mas as pessoas esquecem e não respeitam seus limites. As falhas humanas provocam os principais acidentes, que seriam evitados com fiscalização intensa”, ressalta.

Compartilha da mesma idéia o diretor do Sistema Viário da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Nelson José Lira. Segundo ele, o que está faltando para garantia de segurança no trânsito é a atuação do próprio motorista.

“Os aparelhos ajudam, mas é impossível colocá-los em todos os locais. Até a semana que vem vamos instalá-los em outro trecho das avenidas Nações Unidas e da Getúlio Vargas, mas os condutores precisam colaborar”, cobra.

Enquanto esse empenho não tem origem genuína entre os condutores, os cofres da empresa engordam devido às multas provenientes de radares eletrônicos. Neste ano, até junho, foram lavradas 23% mais multas em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2001, 16.571 motoristas foram autuados. Este índice subiu para 21.704 neste ano, conforme dados obtidos junto à Emdurb.

Por outro lado, as penalidades registradas pela Polícia Militar caíram de 1997 para cá. Naquele ano, 48.942 motoristas foram multados. No ano seguinte, o índice caiu para 23.519. Em 99 passou para 23.006 e em 2000 para 19.190. Já no ano passado, o volume foi de 17.354 e, neste ano, até agosto, 11.023.

Neste mesmo período, a frota de automóveis cresceu. Hoje o município conta com 135 mil veículos fixos, além de 30 mil flutuantes, que vêm das cidades da região. Em 94, a frota fixa era de 77 mil.