O candidato ao Senado e presidente nacional do PSDB, José Aníbal, disse ontem, em Bauru, que a pouca atenção dada pelo eleitor paulista para a eleição de senador é fruto do desempenho fraco dos representantes do Estado em Brasília. Aníbal afirma que a eleição para ocupar as cadeiras ao Senado é muito forte em outros estados.
Ele considera que isso acontece porque os senadores de outros estados, como Goiás, têm obtido um volume significativo de recursos do governo federal para sua região, o que promove a importância dessa eleição entre a população dessas localidades. Leia os principais trechos da entrevista de José Aníbal, durante visita em campanha a Bauru, ontem.
Jornal da Cidade - Qual é a vocação do Interior do Estado relacionada com as Fatecs? José Aníbal - Nós acessamos a criança de São Paulo à escola porque hoje elas podem estudar. Agora, há outro desafio: possibilitar que o adolescente que sai dessa escola tenha uma formação para o trabalho. Hoje, não basta ter apenas o segundo grau, é preciso ter formação profissionalizante em informática, plástico, telecomunicações, mecânica, no que for. Isso é tão verdadeiro que o país que só tem a oferecer mão-de-obra barata já não recebe investimento externo nenhum. A motivação do investidor é mercado, infra-estrutura, mas também é recurso humano qualificado.
JC - E como isso se dá em São Paulo? Aníbal - Para manter São Paulo como estado líder, é multiplicar o ensino técnico, tecnológico e as vagas no ensino superior. E há muito o que se pode fazer na área pública gratuita. 90% dos nossos jovens ainda estudam na escola do segundo grau pública. Então, precisamos abrir acesso a esses jovens na Fatec, Faculdade de Tecnologia. Inauguramos cinco neste ano, uma na Capital, Praia Grande, Jundiaí, Mauá e Botucatu. E temos várias outras para inaugurar. Vamos trazer uma Fatec para Bauru junto com o Pedro Tobias e o apoio do Caio Coube. É um caminho sem volta para São Paulo se manter como estado líder da nação.
JC - A que o senhor se propõe no Senado? Aníbal - Além disso, eu quero ajudar o governador a trazer recursos do governo federal para investir no ensino técnico e tecnológico. Todo o custo hoje é bancado pelo governo estadual, tanto quanto no ensino superior, onde nossas três universidades estaduais também são bancadas só pelo governo do Estado. E nós precisamos trazer também universidades federais para São Paulo. Hoje, só temos a Universidade de São Carlos com 14 cursos e a Escola Paulista de Medicina. Não é justo que São Paulo responda por 42% da receita de impostos do país e tenha só uma universidade federal. Precisamos de mais e eu vou brigar por isso no Senado. Eu não quero prejudicar ninguém, mas São Paulo não pode ser preterido. A Universidade Federal de Minas Gerais tem 14 campi.
JC - O senhor não concorda com o protecionismo bairrista das bancadas do Nordeste e Norte? Aníbal - Ficam falando que São Paulo está bem economicamente e que não precisa de ajuda, de recursos federais. Como? É claro que precisa. São Paulo não pode resolver tudo sozinho. Eu nasci em Rondônia, meu pai é cearense, minha mãe é filha de espanhol. Eu casei com uma paulista, tenho uma filha aqui e estou em São Paulo desde os 23 anos, sou deputado federal há dez anos. E vejo que as carências de São Paulo não são distintas das carências do Pará, Rondônia, que é o estado onde nasci. Então, verba para saneamento tem que vir para São Paulo porque centenas de cidades precisam atacar esse problema. Então, temos a Sabesp e não precisa? São Paulo tem a CDHU, mas também precisa de recursos para a habitação. O senador de São Paulo tem que batalhar recursos para São Paulo.
JC - E os senadores paulistas não estão batalhando por São Paulo? Aníbal - O que eu quero insistir é que o Senado é a casa da federação, da representação dos estados. Cada estado tem três senadores, independente do tamanho. Roraima tem 300 mil habitantes e três senadores e São Paulo tem 37 milhões e três senadores. Mas o senador de Roraima vai no Senado e tira uma linha de transmissão da Venezuela para Boa Vista, que tem 200 mil habitantes. E ele faz e está certo fazer. Recebe uma estrada de Boa Vista a Manaus e o senador de São Paulo (Eduardo Suplicy) é só gogó. Fala na renda mínima que está vencida porque já tem o bolsa-escola, tem assistência social ao idoso. Ele cuida do verbo e de concreto não conquista nada para o Estado.
JC - Os paulistas dão ao Senado a importância que ele merece na eleição? Aníbal - O que me preocupa é que os paulistas estão perdendo de vista a importância do Senado em função da representação fraca dos senadores do Estado. É isso que acontece nessas eleições. Em São Paulo a maioria dos eleitores ainda não escolheu seu candidato. Vai ver a disputa para senador em Goiás, é violenta, forte. E isso acontece porque todas as estradas de Goiás são federais. Todas. E quem leva isso para o Estado é o senador. Toda universidade pública gratuita em Goiás é federal. E os senadores paulistas não têm desempenho suficiente e nós ainda tivemos o senador José Serra ministro. Os senadores não estão atentos ao Senado. O Senado constitui todas as representações externas do Brasil, como embaixador, constitui o comando do Banco Central, vota todas os empréstimos ou acordos de dívidas e discute e elabora os grandes projetos nacionais. Eu tive que ir ao Senado recolher 57 assinaturas para a lei de informática render dinheiro para São Paulo. Ampliamos o setor de informática em São Paulo e eu fui lá, mas sou deputado e quero ser senador. Eu tive que explicar essa lei para os senadores de São Paulo. Temos que ter voz forte no Senado.