10 de julho de 2026
Geral

Lojistas propõem cercar Rui Barbosa

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

A Associação dos Lojistas do Calçadão está propondo-se a adotar a Praça Rui Barbosa e transformá-la em um centro cultural ao ar livre. Porém, os lojistas afirmam que a mudança de visual e função da praça só é possível se a prefeitura trocar a iluminação e fazer reformas. Caso contrário, eles sugerem que o logradouro seja cercado com grades e instaladas câmeras para monitoramento.

Caso a adoção se concretize, a instalação de grades conjulgada com cerca-viva será a última alternativa, que só será tomada depois de esgotadas outras medidas para melhorar a segurança, garante o presidente da associação, Francisco Alberto Franco de Bernardes.

“Sabemos que fechar a praça não é o ideal. A sugestão foi feita considerando as condições atuais. A praça deve ser aberta, linda e sem marginais”, afirma.

A secretária municipal de Planejamento, Maria Helena Rigitano, diz que o fechamento da praça com grades dificilmente será colocada em prática. “A conversa com a associação foi antes da retirada dos ambulantes do centro comercial. Não há nada formalizado”, afirma.

De acordo com ela, dos 24 ambulantes que trabalhavam na praça só 12 continuam no local. “Todos eles apresentaram atestado de antecedentes criminais. Eles encerram a comercialização à meia-noite. Com isso, a movimentação da praça diminuiu bastante”, frisa.

Ela informa que os banheiros da praça passarão por reformas. “O logradouro passará por tratamento paisagístico. A vegetação será rebaixada e a iluminação melhorada”, conta.

A praça, na opinião do presidente dos lojistas do Calçadão, é extremamente importante para os comerciantes porque na área central não há área pública semelhante para entretenimento. “Com modificações, funcionaria como chamariz para a população da região. Consideramos a praça como uma área nobre. Queremos usá-la para a promoção de eventos culturais, resgatando a apresentação de bandas, orquestras e até teatro ao ar livre”, idealiza.

Para sustentar a proposta de que a Praça Rui Barbosa precisa ser reformada, os comerciantes tomam a Praça Machado de Mello como exemplo. “Hoje a praça é outra. Tem policiamento, a jardinagem está bem cuidada e a criminalidade zerou”, ressalta.

A idéia dos comerciantes é assumir a Rui Barbosa em parceria com a prefeitura e autarquias. “Indicamos as necessidades e estamos aguardando os resultados. Se eles (a administração municipal) fizerem o que foi prometido, assumiremos a manutenção”, frisa.

De acordo com Bernardes, a intenção é que os banheiros sejam remodelados e ampliados. “Os já existentes seriam reformados. Um outro sanitário, mais sofisticado, seria construído para atender a população mais exigente. Uma taxa maior seria cobrada desses usuários”, conta.

Os lojistas também propõem alteração no sistema de iluminação e paisagismo da praça. “A iluminação adequada pode melhorar a questão de segurança”, ressalta.

Cerca

Fechar a praça com grade e cerca-viva seria uma atitude drástica, que só seria tomada em último caso, garante Bernandes. “Essa hipótese é a última. Se houver necessidade, cercaremos e faremos três entradas - uma pela rua Gustavo Maciel, outra pela Antônio Alves e uma terceira pela rua 1.º de Agosto”, sugere.

À meia-noite, os portões seriam fechados e um vigilante de uma empresa privada, contratada pela associação dos lojistas, faria a segurança da praça. “A Polícia Militar também estaria trabalhando conjuntamente”, completa Bernandes.

Além disso, a praça poderia ser monitorada através de câmaras de vídeo. “Se for o caso, instalaremos câmeras de vídeo. Os ambulantes trabalhariam dentro do cercado, em quiosques padronizados”, diz.

____________________

Resgatar o status

Ver a praça Rui Barbosa florida com banheiros limpos, bem freqüentada e com música ao vivo, como nos velhos tempos em que a banda da Polícia Militar se apresentava para a população é o sonho de um aposentado que freqüenta o logradouro há mais de 30 anos.

O professor aposentado, que não quis ser identificado, acha que cercar a praça é ilegal. “A praça é do povo e não pode ser cercada, na minha opinião. Nós já vivemos cercados de grades. As cadeias é que deveriam ser melhor cercadas”, afirma.

Ele reclama das condições dos banheiros da praça. “Estão em péssimas condições. Quando foram inaugurados, os usuários podiam sentar-se no assento. Hoje, isso não é mais possível”, lamenta. Outro problema é que os banheiros ficam fechados aos domingos e feriados.

Outra pessoa que freqüenta a praça e também não quis se identificar conta que a frequência no local é péssima. “Durante o dia é freqüentada por alcoólatras e marginais. Há tráfico de entorpecentes e outras coisas que a gente percebe e não pode falar nada. O vigia da praça apanha se abrir a boca”, alerta.

O sanitário destinado aos motoristas de táxi está quebrado desde 1997. A fonte está quebrada e a iluminação, principalmente no lado da rua Antônio Alves, é precária. “Além dos marginais, os alcoólatras usam os bancos como sanitário”, ressalta.

O freqüentador lembra que a jardinagem está mal cuidada. “O jardim recebe água quando chove. O jardineiro joga baralho com os aposentados. “Nos eventos grandes da praça as plantas são pisoteadas. Os canteiros deveriam ter cerca virada para dentro, isso evitaria que o usuário pise no canteiro e destrua a jardinagem”, diz.

____________________

Alta criminalidade

A Praça Rui Barbosa enfrenta um problema de segurança, que é conhecido na cidade inteira, afirma Francisco Alberto Franco Bernandes, presidente da Associação dos Lojistas do Calçadão. “Tem tráfico, consumo de drogas e receptação de coisas furtadas no comércio”, conta.

Pela estatística da Polícia Militar, de janeiro a agosto deste ano foram registrados 11 roubos e nove furtos na praça, além de um caso de tráfico de drogas. Apesar do número de ocorrências não ser alarmante, a polícia apóia o fechamento da praça com grades, segundo o capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1.ª Cia.

Ele explica que a atual jardinagem da Praça Rui Barbosa favorece o esconderijo de objetos furtados. A iluminação precária e o fato de não ser bem cuidada colaboram com as condições para o crime, afirma.