09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Força da mídia pode acabar com os problemas sociais, diz Oded Grajew

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

A criação de uma agenda social pelas principais entidades de mídia do País seria um passo para a solução dos problemas brasileiros. Esta foi a proposta apresentada pelo presidente do Instituto Ethos de Responsabilidade Social, Oded Grajew, durante o painel de debates “Governo, mídia e sociedade - qual o papel de cada um?”, realizado ontem no 12.º Encontro Internacional de Comunicação - Maximídia 2002.

Para ele, que foi o conferencista do seminário, o papel dos meios de comunicação é tão grande na sociedade brasileira que um engajamento mais intenso dos veículos na solução dos problemas sociais poderia solucionar muitas questões. “Eu acredito que se houver uma união de todos os setores da mídia em prol de combater graves problemas sociais, a solução vai ser encontrada rapidamente”, destaca.

Além de Grajew, participaram do debate o diretor superintendente da Folha de S. Paulo, Antonio Manoel Teixeira Mendes; o presidente da TV Cultura, Jorge da Cunha Lima, e o presidente da consultoria Articultura Yacoff Sarkovas.

Discordando de Grajew, Mendes salienta que a mídia não tem toda essa força ressaltada pelo presidente do Instituto Ethos. “Nós temos o papel de cutucar, cobrar e contestar o que está sendo feito pelos governantes. Mas, daí a fazer a mudança propriamente dita, é outra coisa”, frisa.

Lima, da TV Cultura, salienta que o papel da mídia é fundamental para fiscalizar as ações em prol da comunidade. “Imagine o (George W.) Busch sem uma imprensa atuante para fiscalizá-lo! Agindo livre e solto, ele ia fazer loucuras com o mundo”, salienta.

Yacoff Sarkovas destaca que a mídia é considerada o espaço público das pessoas, ocupando o papel de formar e informar as novas gerações, papéis antes assumidos pela família e pela escola. “Por isso, o cuidado deve ser redobrado por parte dos comunicadores do País”, enfatiza o consultor.

Marcas que marcam

O poder de influência das marcas entre os consumidores é um papel a ser desenvolvido pelas agências de publicidade e não pelos veículos de comunicação. Esse assunto foi o tema de outro painel realizado no Maximídia, ontem. Intitulado “Marcas que marcam - como a propaganda pode ajudar neste processo”, o evento teve como conferencista John Hallward, responsável pelo desenvolvimento global da Ipsos-ASI do Canadá.

De acordo com ele, tentar compensar uma criação de qualidade duvidosa com a intensificação da ação de mídia é uma solução que não contempla as necessidades de consolidação de uma marca. “A criação é mais importante que o peso da mídia”, afirma.

Ele explica que a publicidade é que tem o potencial necessário para fazer uma marca se destacar no mercado, diferenciando e introduzindo a familiaridade do produto junto ao consumidor. “Um produto tem que apresentar performance em primeiro lugar para que, só depois, seja anunciado”, destaca.

O último painel do Maximídia 2002, “Ousadia e inovação - como praticar sem arriscar” foi um show à parte. Conduzido pelo presidente da BrighHouse, Joey Reiman, a palestra foi bastante eloqüente e chamou a atenção dos participantes.

O palestrante apontou quais seriam, em sua opinião, os três principais itens para um negócio obter sucesso: a inocência infantil - que gera as grandes idéias -, a coragem e a compaixão. “As melhores idéias são as que substituem as outras”, afirma, destacando a necessidade de os profissionais de mídia se cercarem de pessoas que estimulem a ousadia. “Qualquer rotina é destrutiva”, salienta.