Está tramitando na Câmara Municipal de Bauru um projeto de lei que dispõe sobre a instalação de equipamento de supressão de ar nas tubulações do sistema de abastecimento de água do Departamento de Água e Esgoto (DAE).
Se a proposta dos vereadores José Eduardo Fernandes Ávila (PPB) e Leandro dos Santos Martins (PPS) for aprovada pelo Legislativo, a concessionária do sistema de abastecimento de água do município deverá autorizar a instalação de um aparelho eliminador de ar nos tubos que antecedem o hidrômetro.
De acordo com o projeto, o aparelho deverá ser adquirido exclusivamente pelo consumidor, que arcará também com as despesas de sua instalação. Tanto o DAE quanto as empresas que comercializam o produto teriam permissão para executar o trabalho.
Segundo Ávila, a idéia é fruto das constantes queixas da população que chegam até seu gabinete. “A reclamação é geral. Os bolsões de ar provocados, em alguns casos, por falhas no abastecimento, têm encarecido a conta de muitos munícipes. Cheguei a discutir o assunto com o Sérgio Macedo, ex-presidente do DAE, mas a autarquia não vem demonstrando interesse pelo assuntoâ€, conta.
De acordo com o vereador, o Estado de Minas Gerais e cidades como Londrina e Curitiba já autorizaram o procedimento, que tenta impedir que o ar transpasse o hidrômetro, pois quando isso acontece, o medidor do aparelho gira em alta velocidade diminuindo sua vida útil e aumentando o consumo. Assim, o munícipe é lesado e o DAE beneficiado, alega ele.
Embora a intenção dos vereadores seja a de proteger os consumidores de gastos injustos, o interessado em adquirir o eliminador de ar terá de despender, no mínimo, R$ 150,00. Dependendo da tubulação de água, o custo do aparelho pode subir para R$ 1.500,00, informa Eduardo Tavares Vieira, gerente de uma empresa que vende o produto no Estado de SP.
Ele informou que na cidade de Rezende, no Rio de Janeiro, a própria concessionária do sistema de abastecimento de água usa o equipamento. “A economia na conta de água pode chegar até 35%. Além disso, o equipamento é viável porque é pequeno e de simples instalaçãoâ€, defende.
Outro lado
Discorda dele o diretor da Divisão de Produção e Reservação do DAE, Isaar de Almeida, que não acredita na eficácia do eliminador de ar. “Vários órgão públicos estaduais manifestaram restrição ao aparelho. Além disso, a estrutura do equipamento pode facilitar a contaminação da água distribuída pelo DAEâ€, garante.
Para embasar sua posição, Almeida informou que o equipamento conta com uma abertura de passagem de ar, por onde elementos nocivos podem entrar e infectar a água. “Esta abertura contraria as normas de disposição da água na rede, que é totalmente vedadaâ€, defende.
Para ressaltar sua postura, o diretor ainda encaminhou à Redação do JC matérias publicadas pela Tribuna do Paraná (PR) e JB Online, onde órgãos como o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e o Procon de Curitiba criticam os aparelhos que eliminam o ar.
Nas reportagens, os órgão alegam que o ar pode influir na medição tanto para mais quanto para menos, mas a diferença no valor da conta é mínima, e que as empresas que vendem o produto também vistoriam a rede para eliminar pontos de desperdício. Ao JC, o Serviço de Comunicação do Inmetro confirmou que o instituto não atesta a eficácia do equipamento.
Contudo, um laudo do mesmo órgão provando a qualidade do eliminador de ar é exibido no site da empresa que comercializa o equipamento. Segundo o gerente do comércio, apenas o produto da marca vendida por eles tem autorização oficial para ser comercializado no Estado.