Acabo de ler o artigo escrito pelo ex-presidente Mário Soares aqui em Londres e posso dizer que, como brasileira e acostumada com uma cultura liberal, sempre foi difícil conseguir entender o que se passava na região do Oriente Médio, com tantas notícias de conflitos e tantos mistérios sobre a região. Mas há quase sete meses comecei a namorar um rapaz aqui em Londres que é de Teerã, o que no começo me assustava pois, especialmente após os ataques de 11 de setembro, e com as declarações de George W. Bush, parecia que todas as pessoas dos países do Oriente Médio seriam terroristas ou estariam tentando destruir os EUA.
Mas, apesar disso, meu namorado cada vez mais me explicava o que realmente acontecia e, especialmente no Irã, nem todas as pessoas levam o islamismo ao extremo. Na verdade, ele me disse que apenas uma minoria em seu país apoia o regime linha-dura radical dos aiatolás, e que a maior parte da população, especialmente os jovens, quer mudança de regime, com mais liberdade e menos repressão (porém, sem interferir na cultura). O problema é que as forças armadas islâmicas e os aiatolás são muito poderosos e amedrontam a população, dificultando que mudanças ocorram.
Após várias coisas que ele me contou, acabo achando que a inclusão do Irã no dito “eixo do mal†de George W. Bush uma injustiça com um povo que está tentando acabar com um regime autoritário, e muitas dessas pessoas admiram os EUA (sem contar as várias famílias que após a Revolução Islâmica no país passaram a morar nos Estados Unidos).
Concordo com o que escreveu o meu “meio-compatriota†(pois sou filha de portugueses), pois, como disse Mário Soares, o povo persa tem uma cultura muito rica, e tem uma educação de alto nível (para se ter uma idéia, a mulher persa, no momento, é a que mais ocupa lugares nas universidades do Oriente Médio). (Luciane Sá - Londres - e-mail: lucianesa@hotmail.com)