11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Mulheres são novo alvo de seguradoras

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Com o lançamento de novos planos, as companhias de seguros começam a avançar em um segmento até então inexplorado: o público feminino. Através de pesquisas de mercado, as seguradoras constataram a exigência de um seguro de vida específico para mulheres, com direito a benefícios em caso de doenças predominantes do sexo, como certos tipos de câncer.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que, até o final de 2002, 40,6 entre 100 mil mulheres brasileiras terão câncer de mama diagnosticado. No caso do câncer de colo de útero, a incidência esperada para este ano é de 19,8 para cada grupo de 100 mil.

Um plano lançado no início do mês, exclusivo às mulheres, permite à segurada receber uma porcentagem do capital contratado se houver diagnóstico de qualquer tipo de câncer, dinheiro que pode ser destinado aos custos do tratamento. Isso não impede, contudo, que seus beneficiários recebam todo o seguro em caso de morte - provocada pela doença ou não.

“A partir da constatação do diagnóstico de câncer, a mulher tem direito a receber a importância escolhida, de 25%, 50% ou 75% do capital básico, isto é, a cobertura para morte que os beneficiários receberiam”, explica Luiz Silvério Spinelli, sócio de uma seguradora da cidade.

Segundo ele, o destino desse “adiantamento” não precisa estar vinculado ao tratamento da doença. “Essa importância que a mulher recebe é uma coisa à parte, para custeio de viagem ou medicação. É uma verba que ela tem e faz o que quiser com o dinheiro”, afirma.

O fato dos beneficiários terem direito a receber o total do seguro, mesmo após a cobertura pelo diagnóstico do câncer, é um outro fator atrativo. Isso porque, não raro, as companhias costumam recusar cobertura para morte por câncer para quem já passou pela doença.

Um dos sócios da mesma seguradora, Sílvio Gonçalves, declara que o custo da contratação do seguro também é menor do que um tradicional, o que o torna um seguro “socializado”. “Dependendo da composição que for feita da garantia do seguro tradicional, o seguro de diagnóstico de câncer pode custar menos da metade do preço”, afirma.

Gonçalves cita o exemplo de uma mulher de 25 anos de idade, em um contrato de R$ 100 mil com cobertura de 50% para diagnóstico de câncer. Nessa situação, o custo mensal do seguro seria em torno de R$ 18,00. Se fosse o seguro tradicional, esse valor seria de cerca de R$ 43,00.

A técnica de seguros Cínthia Misson explica que um outro plano existente no mercado, também lançado neste ano, garante cobertura de R$ 2.000,00 a R$ 50 mil em caso de diagnóstico de câncer de todo o tipo, exceto o de pele, além de capital para os beneficiários entre R$ 1.000,00 e R$ 125 mil apenas em caso de morte acidental.

â€œÉ um produto ainda pouco conhecido no mercado, mas tem um apelo muito forte, pois é uma coisa possível de acontecer com toda mulher e não tem um custo elevado”, observa Cínthia.

De acordo com ela, essa linha ainda não teve procura, em parte porque a preocupação de fazer um seguro de vida ainda é do homem. “Geralmente, o provedor financeiro da casa ainda é o homem. Então, a preocupação em deixar o seguro de vida para a família é dele”, diz.

Em ambos os planos, parte do valor arrecadado é destinado ao Hospital do Câncer e ao Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC), com o objetivo de fomentar a pesquisa e as campanhas de prevenção à doença.