Para o ex-prefeito de Bauru Tuga Angerami (PSB), em cuja gestão foram implantados os primeiros núcleos de saúde administrados pelo Município, o funcionamento das unidades nas 24 horas do dia poderia aliviar o problema da demanda reprimida.
Ele acredita que um dos problemas mais graves quando fala-se em núcleo de saúde é que eles não aumentaram satisfatoriamente nos últimos anos. As unidades precisam ser ampliadas e outras devem ser construídas.
â€œÉ preciso pensar no funcionamento das unidades com equipe completa, de 24 horas mesmo. Se você tem demanda, se as pessoas estão indo para a fila em busca de senha na madrugada e depois não conseguem atendimento, várias unidades têm que ter três turnos e funcionar durante as 24 horas do diaâ€, diz.
Tuga afirma que em sua gestão foram criadas 15 unidades básicas de Saúde e municipalizadas as estaduais.
“Quando eu assumi, não tinha uma rede municipal de atenção básica. Essa idéia de municipalização de saúde é posterior ao trabalho que nós desenvolvemos aquiâ€, afirma. “Houve um desmoronamento do sistema municipal de saúde, que já foi modelo nacionalâ€, acrescenta.
A proposta, segundo o ex-prefeito, era de cobrir Bauru com unidades básicas. “A idéia era montar uma rede de unidades básicas de saúde em que nenhum cidadão moraria a mais de dois quilômetros de um núcleo. A idéia de que você pudesse ir caminhando a uma unidadeâ€, destaca.
Ele aponta como as principais falhas no sistema de atenção básica de saúde municipal a falta de profissionais e de medicamentos. “A demanda pelo serviço é muito maior do que aquilo que está sendo ofertado - e muito pela falta de profissionaisâ€, diz Tuga.
O problema de demanda reprimida para especialistas, que são encaminhados dos núcleos de saúde ao Ambulatório de Especialidades da Direção Regional de Saúde (DIR-10), também agrava a situação do atendimento básico.
“Se você não tem atendimento de especialista, se a pessoa não tem seu sofrimento resolvido, ela vai voltar sistematicamente à unidade básica para ver se o clínico resolveâ€, diz Tuga.
Quanto ao Programa de Saúde da Família, Tuga acredita que ele pode aliviar a demanda programada - acompanhamento de gestantes, de crianças, dos programas crônicos, como diabéticos e hipertensos. “A demanda espontânea, não tem como. As pessoas não podem ficar doentes apenas no dia ou na véspera da visita da equipeâ€, opina.
Para Tuga, as equipes do Programa de Saúde da Família têm um papel importante na prevenção de doenças e na educação em saúde. “Isso jamais vai substituir a unidade básica na questão da demanda espontânea, senão não vai bater todo mundo no Pronto-Socorroâ€, afirma.
O ex-prefeito frisa que sem o bom funcionamento do sistema de atenção básica em saúde, o restante fica totalmente prejudicado. “Quando um subsistema do sistema falha, ele acaba atrapalhando a harmonia do sistema como um todo. Quer queiramos, quer não, a ponta de lança do sistema de saúde são as unidades básicas de saúde. Não tem jeitoâ€, conclui.