09 de julho de 2026
Bairros

Ex-prefeito sugere que o atendimento seja de 24h

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Para o ex-prefeito de Bauru Tuga Angerami (PSB), em cuja gestão foram implantados os primeiros núcleos de saúde administrados pelo Município, o funcionamento das unidades nas 24 horas do dia poderia aliviar o problema da demanda reprimida.

Ele acredita que um dos problemas mais graves quando fala-se em núcleo de saúde é que eles não aumentaram satisfatoriamente nos últimos anos. As unidades precisam ser ampliadas e outras devem ser construídas.

â€œÉ preciso pensar no funcionamento das unidades com equipe completa, de 24 horas mesmo. Se você tem demanda, se as pessoas estão indo para a fila em busca de senha na madrugada e depois não conseguem atendimento, várias unidades têm que ter três turnos e funcionar durante as 24 horas do dia”, diz.

Tuga afirma que em sua gestão foram criadas 15 unidades básicas de Saúde e municipalizadas as estaduais.

“Quando eu assumi, não tinha uma rede municipal de atenção básica. Essa idéia de municipalização de saúde é posterior ao trabalho que nós desenvolvemos aqui”, afirma. “Houve um desmoronamento do sistema municipal de saúde, que já foi modelo nacional”, acrescenta.

A proposta, segundo o ex-prefeito, era de cobrir Bauru com unidades básicas. “A idéia era montar uma rede de unidades básicas de saúde em que nenhum cidadão moraria a mais de dois quilômetros de um núcleo. A idéia de que você pudesse ir caminhando a uma unidade”, destaca.

Ele aponta como as principais falhas no sistema de atenção básica de saúde municipal a falta de profissionais e de medicamentos. “A demanda pelo serviço é muito maior do que aquilo que está sendo ofertado - e muito pela falta de profissionais”, diz Tuga.

O problema de demanda reprimida para especialistas, que são encaminhados dos núcleos de saúde ao Ambulatório de Especialidades da Direção Regional de Saúde (DIR-10), também agrava a situação do atendimento básico.

“Se você não tem atendimento de especialista, se a pessoa não tem seu sofrimento resolvido, ela vai voltar sistematicamente à unidade básica para ver se o clínico resolve”, diz Tuga.

Quanto ao Programa de Saúde da Família, Tuga acredita que ele pode aliviar a demanda programada - acompanhamento de gestantes, de crianças, dos programas crônicos, como diabéticos e hipertensos. “A demanda espontânea, não tem como. As pessoas não podem ficar doentes apenas no dia ou na véspera da visita da equipe”, opina.

Para Tuga, as equipes do Programa de Saúde da Família têm um papel importante na prevenção de doenças e na educação em saúde. “Isso jamais vai substituir a unidade básica na questão da demanda espontânea, senão não vai bater todo mundo no Pronto-Socorro”, afirma.

O ex-prefeito frisa que sem o bom funcionamento do sistema de atenção básica em saúde, o restante fica totalmente prejudicado. “Quando um subsistema do sistema falha, ele acaba atrapalhando a harmonia do sistema como um todo. Quer queiramos, quer não, a ponta de lança do sistema de saúde são as unidades básicas de saúde. Não tem jeito”, conclui.