08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

SENADORES E SUPLENTES


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Senador é um político influente e já conhecido, não só pelos seus eleitores, como pelo povo em geral. Ele ficou conhecido pois geralmente já é uma figura de destaque no cenário brasileiro. O eleitor votou nele pois já sabia de seu passado, analisou seu programa, conhece seu partido, sua ideologia política, votou, enfim, sabendo quem estava elegendo.

Mas quem o eleitor elegeu como seu suplente? Ah, o suplente! Esse ser desconhecido, obscuro, que você elegeu não sabendo sequer seu nome, seu sexo, seu passado. Essa preocupação pode parecer banal, mas não é. Em passado recente, a renúncia do senador A.C.M. expôs publicamente essa falha. Quando todos esperavam que seu suplente fosse uma figura conhecida, um homem público eminente, ficaram surpresos ao saber que seu pai iria trocar o pijama de aposentado pelo terno de senador.

Para melhor explicitar essa questão, vamos supor - hipoteticamente - que você vote no Lula para presidente e no Mercadante para senador. Pelas pesquisas é muito provável que ambos sejam eleitos. Ainda na base da hipótese, vamos nos mover no tempo. Estamos, agora, em janeiro de 2003. O Mercadante já é senador e o Lula está compondo seu alto escalão. Não é lógico supor que o Mercadante seja chamado para o governo? Afinal, ele é do partido, companheiro de lutas de muitos anos, amigo pessoal, etc. etc. Aí surge o ilustre desconhecido suplente, sim, aquele de quem não se sabe o nome, nem o sexo, não participou da campanha, nem apertou sua mão na rua, sequer comeu um pastel no boteco da esquina. E agora?

Fiquei tão curioso com essa questão, que tive o cuidado de visitar os comitês dos principais candidatos ao Senado. O resultado foi que nenhum cabo eleitoral, nenhum funcionário de comitê sabia o nome de qualquer suplente.

Isso é, simplesmente, uma idiotia do sistema eleitoral brasileiro. (Israel Martins - RG: 2.696.056)